O dia da mudança

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É curioso o click que se dá nas pessoas com excesso de peso, o qual as leva a fazer dieta ou a mudar os seus hábitos de forma radical. A justificação, a motivação, pode ser muito diferente de caso para caso. Pode ser a frase ‘assustadora’ que o médico disse; um susto que tenha acabado nas urgências; um comentário depreciativo; a frustração de nunca se conseguir um número que sirva; a foto que nos faz cair na realidade; não querer sentir vergonha junto das amigas das filhas; estar farto de lhe dizerem que ressona; mil e uma coisas que podem ser a justificação que faltava para mudar. No “Bom Dia Portugal”, ouvi uma vez a nutricionista Maria Paes Vasconcelos a dar o seguinte exemplo: “Se os filhos ou os netos, com 4 a 5 anos e cerca de 1m de altura, nos derem um xi-coração ao nível da barriga, e conseguirem tocar com os dedos das mãos uns nos outros atrás das costas, então, é bom sinal”.

Eu andava a fazer festinhas no consumo de calorias. Sabia que o fígado continuava gordo. Até já tinha dificuldade em vestir alguns dos números maiores que estavam no guarda-roupa. Dizem que o algodão não engana, e a balança também não. Nem a balança, nem as calças, nem as camisas, nem…tudo o que se vista, com excepção dos sapatos. Os pés deverão ser a única coisa que se mantém imune a todos os excessos alimentares. Mas mesmo assim, parecia que faltava um empurrão final. Os excessos alimentares cometidos no Natal de 2009 terão sido a gota que fez transbordar o copo. Depois, foi uma fotografia que me tiraram a 1 de Janeiro de 2010. A frase que usei ao vê-la foi: “Credo! Estou mesmo anafado”. Foi nesse preciso momento que decidi ser tempo de mudar.

Se podia por iniciativa própria começar a praticar mais desporto e a mudar os hábitos alimentares? Podia. Mas a probabilidade de insucesso seria certamente muito elevada. Eu queria mudar mas precisava de alguém que fosse na ponta do barco a incentivar e a corrigir as minhas remadas. Foi assim que surgiu a Nutricionista. Um Virgem não costuma ligar amigo da esquina a dizer que algo faz mal. Mas se for um médico a dizer “Tchiii, bem…é pá, você…cuidado…olhe que assim…”, é coisa para causar um arrepio de terror na espinha e para levar uma pessoa a dizer que a partir desse dia fará tudo aquilo que o Senhor Doutor disser para fazer. A palavra de um profissional de saúde na área do nutricionismo, aliada a 60€ por consulta (por mês), sem reembolso no seguro de saúde, seriam certamente os factores que assegurariam um incentivo de peso, passe a expressão.

Primeira consulta, primeiro choque. A pesagem indicava 98,6Kg, a que correspondia um IMC de 30,1. Se o IMC fosse 29,9, eu teria ‘apenas’ Excesso de Peso. Mas assim, eu era um Obeso Tipo I. É lá! Eu nem queria saber se haviam mais tipos de obesidade, para não ter a tentação de dizer uma frase pobrezinha do tipo : “Bem, podia ser pior. Podia ser do Tipo II ou X”. Qual quê!? Obeso Tipo I. Já chegava para me preocupar. É claro que nisto da obesidade não existe apenas um problema estético. Tensão alta; Fígado Gordo; Ressonar; Parâmetros elevados nas análises ao sangue, etc. Esses é que são os verdadeiros problemas, os quais, mais tarde ou mais cedo, podem causar um grande ou trágico problema.

A punição não foi muito severa. Não é que eu comesse mal. Eu comia era muito. Por isso, eu não teria de fazer grandes sacrifícios alimentares para a coisa ir ao lugar. Exercício regular (a parte que faltava), fruta fora das refeições e sopa ao jantar. Tudo o resto, mais ou menos já eu fazia.

Estava dado o pontapé de saída.

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8 respostas a O dia da mudança

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  2. cristina dinis roldao diz:

    é “à conta” destes relatos que eu ainda hei-de mudar alguns dos meus maus hábitos, mas ai, ai…. é tã custoso mosso….

    • Cristina, eu não acredito nos métodos selváticos usados no “Peso Pesado”, mas acredito nas mudanças que são feitas com calma ao longo do tempo. Depois de nos habituarmos à vida sedentário, é muito difícil começar seja o que for. Por isso, a mudança tem de ser progressiva sobre pena de resultar num fracasso. E aos poucos, vai-se ganhando a tal motivação que se julgava perdida. Andar pelo menos 30m por dia, é das melhores coisas que se pode fazer

      • cristina dinis roldao diz:

        Mas qual será a magia, o truque, o segredo para gostar de andar ?! (parece-me tão inútil, correr nem pensar). E agora dito entre uma tonelada de parentesis: nunca gostei muito de desporto, trabalho na área do desporto, administrativamente !!!! e estou farta de desporto…..shiuuuuuuu…..

      • Cristina, eu dou este exemplo. Este mês a piscina está fechada. E para não passar um mês sem fazer nada, inscrevi-me num ginásio até ao final de Agosto. Lá, no final de cada sessão poêm-me a fazer exercício cardio vascular que consiste em correr numa passadeira. Pois bem, nunca tive tantas saudades de andar ou correr na rua. É preciso muita força de vontade para estar em cima de uma passadeira sem se ver nada de novo, sempre com a mesma paisagem, sempre no mesmo sítio. É uma monotonia que desmotiva.
        Por isso, o segredo, se é que existe, a motivação, eu diria que é a possibilidade de se apreciar uma paisagem, de ir vendo coisas novas, de ir vendo os pormenores, enquanto se faz exercício.
        Depois, tenho sempre o meu companheiro inseparável do leitor de Mp3. Sem música não dá.
        A ideia é por os phones nos ouvidos, escolher as músicas favoritas e traçar um trajecto para se fazer uma passeio em passo acelerado. Quase sem dar-mos pelo tempo passar, já estamos de volta com o ‘dever’ cumprido 🙂

  3. cristina dinis roldao diz:

    Tens razão Luis, não tinha pensado nisso, é pertinente e simples ao mesmo tempo.
    Também tenho que aprender a “imbirrar” menos com o dever, se é em prol da nossa saúde.
    Obrigada pela ajuda, um abraço e bôa nôti : )

  4. Maria diz:

    Descobri o seu blog por mero acaso, mas revejo-me totalmente nas situações que descreve. Excepto na questão do tabaco, porque nunca fumei, também deixei que o peso chegasse quase aos 100Kg, ao adoptar um estilo de vida sedentário, depois de uma vida inteira de desporto. Entre nada fazer e muita “paparoca”, o peso foi dos 65 aos 98Kg, com todas as complicações do costume, articulações, diabetes, etc.
    Também decidi mudar de vida e voltar ao exercicio e práticas alimentares mais saudáveis.
    Obrigada pelo seu blog, é bom ver que é possivel chegar aos nossos objectivos.

    Maria

    • Maria, eu é que agradeço o seu comentário. O principal objectivo, quando abri este blogue, era transmitir o meu testemunho, partilhar com todos os que chegaram a uma situação de excesso de peso que a mudança é possível, basta querer. Basicamente, se eu conseguia, então, qualquer outro também conseguiria. Fundamental é mesmo adoptar as «práticas alimentares mais saudáveis» e praticar exercício físico de forma regular (nada de entrar em dietas milagrosas ou pílulas fantásticas que dizem funcionar sem qualquer esforço por parte de quem as toma).
      Bons treinos

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