Sim, mais um filme sobre o Boxe

the_fighter_24

Finalmente vi o “The Fighter”. Sim, mais um filme sobre o Boxe. Um filme onde a fantástica interpretação do Christian Bale justificou plenamente a atribuição do Óscar para Melhor Actor Secundário. Assim como a Melissa Leo, que à custa deste filme, também ganhou a primeira estatueta de ouro da sua carreira, na categoria de Melhor Actriz Secundária. Um filme que vale sobretudo por essas duas interpretações. De resto, sem querer banalizar muito, é apenas e somente mais um filme sobre o Boxe, sem se destacar na já vasta lista dos filmes que abordaram esse tema.

O filme é baseado em factos reais, mostrando a progressão de Micky “Irish” Ward (Mark Wahlberg) até à sua conquista de um título mundial. Com uma carreira gerida de forma desastrosa pela sua mãe (Melissa Leo) e submetendo-se aos treinos do seu irmão toxicodependente, Dicky Eklund (Christian Bale). Micky Ward era incapaz de se afastar dessa péssima união. Os laços familiares e sentimentais impediam-no de seguir outros caminhos que o levassem mais longe na carreira. Ele era, para todos os efeitos, um lutador que era chamado a participar em combates para perder, apenas para dar confiança aos seus adversários. Micky Ward tinha sempre visto seu irmão, Dicky Eklund, um modelo a seguir. Dicky Eklund era o herói da sua terrinha, uma tal de Lowell, no Massachusetts, ao ter conseguido derrotar o grande pugilista Sugar Ray Leonard. Só que, muitos, apesar de não o confessarem publicamente, achavam que essa vitória só tinha sucedido porque Sugar Leonard teria escorregado e não porque Dicky Eklund teria sido capaz de o pôr KO. Sem entrar em mais detalhes, fica a nota que filme termina com um grande combate, tal e qual como termina a maioria dos filmes sobre o Boxe.

Mas porquê tantos filmes sobre o Boxe? “Raging Bull”; “Rocky” (montes deles); “The Champ”; “Ali”; “Cinderella Man”; “Million Dollar Baby”, apenas para salientar os melhores entre muitos outros do mesmo tema. Deve ser por causa da empatia do público pelo mais fraco que no fim arranja força para derrotar o mais forte, assim tipo David e Golias. Aliás, o Wrestling é um bom exemplo disto. O público sabe que aquilo é tudo encenado (todos eles?), mas vai ao rubro sempre que vê que um tipo, depois de ter levado muita ‘porrada’, é capaz de se erguer e derrotar o ‘mau’. É a loucura total. No Boxe sucede o mesmo e o “Rocky” Balboa era o especialista em resuscitar das trevas. Ele levava socos da esquerda, da direita, por baixo do queixo, no estômago, rins e fígado, sangrava como um porco na matança, mas mesmo assim, mesmo depois de ter ido 10 vezes ao tapete e de todas elas ter sido capaz de se voltar a erguer, ele ia buscar forças ao além e … Toma! Vai Buscar! Fazia do seu adversário um saco de pancada e só parava quando o tipo ficava KO. É disto que o público gosta, minha gente.

Com tanto desporto que existe, até que não me importava de diversificar. Um bom realizador será certamente capaz de transformar um jogo de Petanca numa obra emocionante. Ou sobre a ascensão e queda de Evaristo “Bagaço” Vasconcelos, campeão nacional por 10 vezes do Jogo da Malha. Agora a sério, eu vejo mais um filme sobre Boxe e só me apetece voltar a recordar o empolgante, emocionante e inspirador “Chariots of Fire”. Aquela cena, deles a correrem na maré vazia, é arrepiante (a música dos Vangelis também ajuda muito, é certo). Tanto corredor Queniano ou Etíope que deve ter uma história de vida marcante, que bem merecia estar contada num filme. O problema é que, ao contrário do Boxe, quando numa corrida se começa a ficar para trás, é muito difícil que aconteça uma reviravolta nos acontecimentos. Nós bem viamos o Mamede a ficar na cauda do pelotão, mas acreditávamos sempre que ele ia ‘explodir’ na parte final, ultrapassando tudo e todos. É quase como acreditar que numa estafeta, quando alguém larga o testemunho, esse atleta é capaz de voltar a ficar entre os primeiros, mesmo com o atraso descomunal com que ficou. As coisas não se passam assim. Mas caramba, haverá certamente muitas histórias, de muitos desportos, que seriam capazes de cativar o publico. Não é preciso andar sempre a insistir no Boxe. É que já começa a cansar.

Esta entrada foi publicada em Cinema, Desporto, Personalidades com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s