A Pista e o Tartan

Tartan

É Tartan o que se vê ali. Um revestimento de poliuretano usado na construção de uma pista sintética de atletismo. É preciso tocar-lhe para se perceber que se deforma, sendo por isso um piso com algum amortecimento, mais que o alcatrão ou as pedras da calçada, pisos que só servem para lixar o corpo. Como bem diz o João Lima neste post: “Um problema que se coloca é o piso. Correr sempre no alcatrão é penalizante para a estrutura, potenciando eventuais lesões”. O ideal é poupar os principais componentes do corpinho que intervêm na corrida, se possível e entre outras coisas, variando o piso onde se treina.

Nesse ponto posso dizer que tenho conseguido seguir essa sugestão. Nos treinos que estou a fazer e tentando chegar aos 3 dias de corrida na rua, consigo passar por estes pisos: corrida de 10K em alcatrão; corrida tipo ‘séries’ (10K) ou longa (90’) em Tartan; corrida na passadeira do ginásio (5K) e corrida em terra batida no Ludo (10K). De todos, se tivesse que eleger um piso favorito, seria o Ludo, sobretudo depois de ter estado a chover bem na noite anterior. Tudo isto para dizer que Tartan era um nome que só conhecia de ouvir falar nas provas de atletismo. Até há poucas semanas atrás, por incrível que pareça ou nem por isso, nunca tinha pisado ou sentido tal coisa.

Pude experimentar a sensação de pisar o dito cujo, no dia em que me fui informar sobre o que seria necessário fazer para ter acesso à pista de atletismo de Faro. Para grande surpresa minha, confesso, descobri que o acesso é grátis (até agora). Incrível. Em Olhão, para ter acesso à piscina, uma infra-estrutura com elevados custos de manutenção, paga-se 1,30€ (creio). Ali, numa infra-estrutura gerida por uma CM à beira da falência, o acesso é grátis. Tudo bem, mas é coisa que dá que pensar. Sobretudo porque a pista de atletismo também terá custos de manutenção.

Pensava que a pista abria às 8:00. Mas não. Já só abre às 9:00. Nas palavras de quem recebeu a minha inscrição: “Ah, pois, não havia gente a essa hora e acharam melhor abrir mais tarde”. Eu é que não acho isto normal. Eu acordo às 6:00 e às 7:00 estou a correr. Abrisse a pista a essa hora que eu estaria lá para correr. Será que Faro não tem gente para correr a essa hora? Será falta de gente ou falta de um espaço que permita o exercício físico a essa hora?

Ainda não tive oportunidade de tirar uma foto daquele espaço. Por isso, há falta de melhor, uso esta (tirada do blog “Run 4 Fun”, publicada num post a propósito de uma participação na Maratona do Algarve) para salientar o que vou dizer a seguir.

O interior da pista deveria ser ocupado por relva. Já foi, mas entretanto secou e morreu. Não sei do que estão à espera para reparar aquilo. Se é falta de dinheiro, se estão à espera que terminem as obras de construção da variante a Faro. E por falar nisso, eis mais um exemplo de grande urbanismo e planeamento. Esta pista, onde se pratica o desporto e a competição, que deveria estar afastada das fontes de poluição, vai ficar em breve com um dos acessos à variante de Faro, colado ao longo do seu lado nascente. Pior era difícil. Ainda na fase de apontar os pontos negativos, de referir que os canaviais que circundam a zona, são abrigo de muitos e muitos mosquitos e melgas, transformando os corredores de sangue doce (parece ser o meu caso) em vítimas do chupanço ao final do dia. É o que temos por aqui.

Positivo? O Tartan. É uma maravilha correr em cima dele. Eu gosto. E temos a característica circular da pista. Para alguns isso pode ser visto como desvantagem, pela monotonia que pode causar, mas eu vejo como vantagem. Deixo de estar preocupado em planear um trajecto que depois posso não conseguir cumprir até ao final. Se me apetecer, corro 60’, e se me sentir bem, corro 90’. De um forma ou de outra, sei que posso parar a qualquer momento, que o carro não estará mais longe que uns 300m. Fiquei fã daquele espaço desportivo. Ainda na sexta-Feira estive lá, a fazer umas ‘séries’.

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3 respostas a A Pista e o Tartan

  1. eia pá! fazer 90min em pista é … quer dizer, não é para qualquer um. é necessária uma resistência psicológica… de ferro!
    gosto do tartan para fazer series (quando as fazia), pois a distância que eu quisesse estava lá (no tempo em que eu nem sabia o que era um Garmin), o percurso estava desimpedido e era macio. Mas para fazer treinos de corrida contínua… hummm, não me convence o tartan. é por demais monótono e o máximo que devo ter aguentado talvez fossem uns 50 minutos e mesmo assim, a mudar de sentido várias vezes. Tudo isto, em tempos que já lá vão (mais de 10 anos atrás). Hoje… já me esqueci do que é treinar em tartan – por falta de condições (minhas condições pessoias – tempo e espaço onde vivo)

    • :)) Ana, eu acho que desde que comecei a correr na passadeira que tudo o resto me parece menos monótono que aquilo. Na passadeira é que um minuto parecem 15. É horrível. Ali na pista e mesmo a correr sempre para o mesmo sentido, por incrível que pareça, o tempo até vai passando sem stress. Por um lado é obrigatório o uso do mp3. Sem música é que não dá. Depois, vão-se procurando pontos de distração, tipo ver os treinos que os miúdos do atletismo estão a fazer, tentar adivinhar em que ponto da pista vou voltar a cruzar-me com um outro que corre em sentido contrário, etc. Mas desde que consegui fazer os 15Km lá no Ludo, com uma boa parte a subir, que me sinto mais confiante para ir para lá fazer o treino longo. A vantagem da pista era mesmo pelo facto do carro nunca ficar longe. E se tudo correr bem, dia 6 de Novembro lá estarei para tentar as X Milhas do Guadiana, desta vez, corrida do lado português para o espanhol, com aquela terrível subida em Ayamonte na parte final

      • Que chatice!!! Oh pá, as Milhas calham outra vez no mesmo dia da Maratona do Porto, onde vou sempre, nem que seja fazer a Mini/Caminhada. E eu gosto tanto das Milhas do Guadiana! Gosto mesmo! Esse simbolismo de começar num país e terminar noutro, passar o Rio, sentir o povo Espanhol, com o seu “Animo! Animo!”, começar e acabar em Estádios… (pelo menos era assim e são essas as recordações que tenho de algumas vezes em que a corri (há muitos anos, ainda não havia a Maratona do Porto…)

        Que pena…não será este ano outro vez que lá volto… 😦

        Talvez para o ano…

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