X Milhas do Guadiana, lá estarei … espero

Cartaz%20X%20Milhas%20(4)

O que disse no primeiro post: “Eu não vou aqui falar dos tempos que faço a correr. Prefiro guardá-los só para mim. Não treino para entrar em competições. Faço-o sobretudo, ou apenas e somente, para obter os benefícios da prática do exercício físico”.

Mantenho o que disse sobre os ‘tempos’, mas mordo a língua por ter dito que não treinava para entrar em competições. A questão é que decidi inscrever-me nesta prova. Porquê? Porque tenho lido os relatos motivantes de quem vai a provas – aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui, entre muitos outros – e por causa do que  tenho lido, sinto que deve ser uma experiência bastante gratificante, para ser recordada e falada nos anos seguintes. Sim, tenho muita curiosidade em ir espreitar de perto o ambiente que se vive antes, durante e depois de uma prova. Esta prova, “X Milhas do Guadiana”, com a curiosidade de permitir aos participantes começar a correr em Portugal e terminar em Espanha, sob o forte apoio do público da Andaluzia que adere em força a estes eventos (foi o que ouvi dizer). Uma união entre dois países, feita com a travessia da ponte sobre o Guadiana – o Fernando Andrade que me desculpe, mas escrevo isto para me ‘meter’ com ele, a propósito do seu pertinente desabafo sobre o facto da Meia Maratona de Portugal não ser feita ao longo de toda a extensão da ponte Vasco da Gama.

Se podia ir a esta prova e não me preocupar com a forma como a faria, sim, podia. Mas o lado competitivo que tenho em mim, por mais pequeno que seja, leva-me a estabelecer alguns objectivos: Quero chegar ao fim sempre a correr, quero cumprir isso em menos de 2h (o tempo dado pela organização até avançar com o ‘carro vassoura’) e não quero ficar em último. E por isso, aqui confesso que para todos os efeitos, os treinos que ando a fazer actualmente são com o objectivo de entrar uma competição.

Sei que devia treinar mais dias de corrida, mas a questão é que não consigo fazer mais de que já faço. Não quero abdicar dos 2 dias da natação (até porque são os dias em que levo a minha filha mai velha às aulas de natação), e considero equilibrado fazer 2 dias de ginásio (onde acabo sempre a correr na passadeira). Tirando um dia para descansar de tudo, sobram 2 dias para correr na rua. Num tenho feito séries ou corrida durante 60’, no outro tenho feito o treino longo de 16Km ou 90’ a correr. Sinto ter pernas para chegar ao fim das 10 Milhas, mas sei que o tempo será muito mau.

Confesso, devia estar há mais tempo a preparar-me para ir correr mais de 15Km no dia 6 de Novembro. O ideal seria uma prova de 10Km, mas essas, como já referi por aqui, apenas sucedem em grande número no centro do país. E a partir de agora, cortes associados a uma austeridade sufocante, fazem com que um algarvio tire da ideia qualquer deslocação para lá da serra do Caldeirão. Até as deslocações entre VRSA e Odeceixe vão passar a ser postas em causa a partir do momento em que portagens sejam uma realidade. Por aqui, a Sul, são pouquíssimas as provas que se organizam. Portanto, temos que aproveitar o que há. São 17.300m? Vamos embora.

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Algarve, Corrida, Provas Desportivas com as etiquetas , , . ligação permanente.

5 respostas a X Milhas do Guadiana, lá estarei … espero

  1. Levou-me a Novembro de 2006, agora…Fui reler o que escrevi na altura. Mau, muito mau esse capítulo da minha vida, e mal falo da prova em si, que pena. Pois a prova é espectacular! Tenho de lá voltar! Não será ainda este ano porque é no fim de semana da Maratona do Porto, onde vou levar uma centena de Maratonistas – a partir de Lisboa – , e onde irei correr a prova de 14 Km.

    Mas as Milhas do Guadiana é uma das minhas provas de eleição! E verifico agora que já lá não vou há demasiado tempo… É uma prova especial. Precisamente pela magia da união dos 2 países pela ponte e rio que atravessamos, pela animação em Espanha, pelas Partidas e Chegadas nos Estádios.

    Agora outro assunto:
    A competição pode ser salutar e saudável. Dentro de uma filosofia de fazermos o NOSSO melhor, nos motivarmos, treinarmos, fundamentalmente para ESTARMOS E SENTIRMO-NOS BEM, sou da opinião que esse tipo de competição é positiva. Faz-nos querer melhorar. Não “ser melhor que o outro”, mas sim, nos melhorarmos a nós próprios, esse deve ser o objectivo e é por esse que eu luto (quando luto). Jamais me chateia ter atletas melhores que eu numa prova! E isso acontece a malta que anda tanto como eu! Ficam chateados porque sabem que A ou B anda mais que eles, e sendo do mesmo escalão, já não têm hipóteses (?!). Conheço gente assim… a mostrar que a Corrida é uma amostra da Sociedade, e lá se vai a bela da teoria que quem corre é só gente boa, pessoal solidário, companheiro, amigo, justo, correcto, etc e tal. Tretas…

    A ilustrar bem (digo eu) o que digo, conto um episódio em: http://mariasemfrionemcasa.blogspot.com/2010/10/duas-mulheres-uma-historia-dentro-da.html

    Um beijinho e continuação de bons treinos e boa competição também! -consigo próprio entenda-se 🙂

    Ana Pereira

    • 🙂 Ana, grande melão. Gostei da história porque retrata bem aquilo que a competição não deve ser. Se a participação era apenas para ganhar uma taça e queria-se que a mesma fosse garantida, então, o melhor era a pessoa correr sozinha, pois só assim podia garantir o troféu. Quando há adversários, ganhar fica mais difícil e é preciso dar o melhor.
      Concordo plenamente com o que referes, de dar-mos o nosso melhor, em concreto, de competirmos contra nós próprios. Eu tenho procurado competir nas distâncias. Primeiro 5Km, depois 10Km, agora, já são 16Km. Tudo isso são vitórias que eu vou conseguindo. Já os tempos, são o que são e valem o que valem. Eu quando referi que aqui não publicaria tempos, queria sobretudo salientar que este blogue se destinava mais a ser um incentivo aos muitos que começam agora a fazer desporto, a motivar quem acha que nunca irá conseguir correr 5Km de seguida. Um bocado com o objectivo de tentar diversificar a oferta dos muitos blogues que falam de corrida, os quais, regra geral, estão já em patamares muito elevados.
      Levar uma centena de maratonistas ao Porto? Bem, isso vai ser uma grande festa. Um dia, ainda espero conhecer pessoalmente todos vocês que vão escrevendo blogues que eu visito diariamente para ver se há novidades.

  2. Ganfas diz:

    Para mim o participar em competições apesar de estarem lá centenas ou milhares de atletas acaba sempre por ser uma competição comigo mesmo ganhar nenhuma taça nem correr ao lado dos primeiros mas tal não me preocupa minimamente. A competição acaba por ser uma forma diferente de correr, impõe um objectivo, uma motivação adicional e uma forma de convívio e festa com outros atletas.

    Tal como disseste é mesmo uma óptima experiência. O começar no meio de tanta gente, ires vendo os quilómetros a passar, veres a placa do ultimo quilómetro e ires buscar energia sabe-se lá onde para acelerar mais um bocado e finalmente cruzares a meta é uma sensação fantástica, acabas por sentir que ganhaste mesmo que tenhas ficado a 20 lugares do fim.

    Tenho um colega no trabalho (que não corre) que a primeira coisa que pergunta segunda feira depois de uma corrida é “Então em que lugar é que ficaste?” Ainda não o consegui fazer ver que isso é o menos importante em toda a experiência de participar numa prova.

    Abraço

    • Ganfas, nisto das provas, pelo que tenho lido, fico também coma ideia que nem todas têm o merecido e devido apoio do público. Lembro-me sempre desta frase que escreveste a propósito da corrida da Cruz Vermelha: «passagem pelos Restauradores e toca a seguir pela Rua Áurea onde estavam as únicas pessoas que vi a aplaudir os atletas em todo o percurso: 2 crianças que batiam palmas e gritavam “força” a todos os que passavam». Também aqui na maratona de Faro, o apoio ao longo da prova é para esquecer. Se puderes, espreita esta descrição da maratona de Munique: «Aqui a sensação que eu tinha era que neste tipo de ambiente, com muita muita gente a apoiar em todo o lado nas ruas, à porta das suas casas, com campainhas, tambores e tudo o que tinham para fazer barulho, com pórticos onde a organização passava música (grandes selecções musicais), bandas de todos os géneros… enfim, neste tipo de ambiente é muito fácil correr, senti-me sempre impulsionado por uma mão invisível que ora me dizia “corre mais rápido”, ora me dizia “gere o esforço”.»
      Dá vontade de perguntar, mas porque todas as corridas não têm este tipo de apoio ao longo do percurso?

  3. Pingback: Um ‘treino longo’, o bem-estar, o desânimo e o cansaço | Ma Ke Jeto, Mosso on Sports

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s