Uma Questão de Ultrapassagem

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(texto republicado, pois estava perdido lá no outro blogue)

Antes disto, se alguma vez me passava pela cabeça ir correr. Quer dizer, até podia passar, mas bastava lembrar-me da última vez em que teria feito algo semelhante a correr, conseguindo percorrer uns estonteantes 100 ou 200m e ficando com vontade de vomitar os pulmões, para rapidamente tirar essa ideia parva da cabeça. Mas depois daquilo e de muita natação, os 100 ou 200m já aumentaram para 5000m. Muito orgulhoso. 5Km em 30m. Não é record, não é nenhuma marca fantástica, mas é um enorme progresso atlético para alguém que já tinha ‘sedentário’ no nome do meio. Agora, sempre que possível, aos Domingos de manhã, lá se faz mais uma voltinha dessas por aqui. (isto foi publicado em Março de 2011. Oito meses depois, a distância já vai em 19Km)

Se antes eu ia para ali andar depressa, invejando aqueles que passavam por mim a correr, bufando e com ar de não se estarem a divertir, actualmente, sou eu que passo pelos que andam depressa, bufando e achando que correr é um acto penoso. Seja como for, lá vou insistindo nesse ‘martírio’. A glória absoluta, o momento alto da corrida, a euforia total, é quando me apercebo que mais à frente alguém corre num ritmo mais lento e que eu serei capaz de a ultrapassar em breve. É como se estivesse a correr a maratona, e visse que o queniano ou etíope que segue primeiro lugar, começava a perder terreno para mim. Sim, iria conseguir ultrapassá-lo. E todo esse período de aproximação e ultrapassagem seria feito ao som dos Vangelis, como se viu no “Chariots of Fire”. Lindo.

Há dias atrás, reparei num tipo baixinho que corria lá mais à frente. Sim, estava a ganhar-lhe terreno e iria conseguir ultrapassá-lo. Sem aumentar o passo, para não rebentar a máquina, lá me imaginei a correr descalço junto à babuja com os Vangelis a invadirem-me os ouvidos … ta nana na nanannn ta nana na na … inspirador, sem dúvida. Aproximei-me dele, ultrapassei-o e estive quase para gritar: “Toma! Come o meu pó!”. Ainda bem que não o fiz. Quando pensava que ele iria ficar para trás, percebo, pelo seu bufar, que ele tinha aumentado de ritmo e se aproximava de mim. “Ai queres guerra? Tás lixado que agora começou a dar o ‘Funk Phenomena’ e eu sou imparável com esta música”. E assim foi, comigo a dar o litro para manter a posição em relação ao tipo de camisola de riscas largas horizontais que corria atrás de mim. Não sei se lhe ganhei, pois entretanto ele virou à esquerda num cruzamento e eu segui em frente.

Isto faz-me lembrar o que se passa muitas vezes na auto-estrada. Um tipo segue a uma velocidade constante. Nisto, calha a ultrapassar um outro tipo que segue, invariavelmente, num BMW. Pronto. É certinho que logo a seguir esse tipo vai acelerar e ultrapassar. Fico mesmo lixado quando isso acontece. O tipo vai ali e deve pensar “Sim, vou aqui a uma velocidade constante, mas só admito ser ultrapassado por carros da marca X ou Y e/ou com cilindrada acima deste”. Parece que ficam ofendidos. Se ia com uma velocidade constante, porque raio decide acelerar quando é ultrapassado? Há coisas que me irritam e esta é uma delas.

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