O Florzinha de Estufa

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Há malta muito rija. Correm ao frio, à chuva, a nevar, com geada e nada parece afectar o seu sistema imunológico. Muitos querem lá saber de ‘corta-ventos’, camisolas ‘Techfit’ ou outras mariquices. Verão ou Inverno, uma simples camisola de alças e uns calções é tudo o que os tapa, como se não houvesse diferença de temperatura. Pois eu não são assim. Sou o típico

“Florzinha de Estufa”, s.m.: Pessoa que, apesar de se armar em valente perante as condições atmosféricas adversas, acaba invariavelmente por ficar dói-dói por vários dias. Verifica-se também que esse período de recuperação é diretamente proporcional ao índice de PDI, vulgarmente conhecido por Puta da Idade.

Nem sei porque me preocupo em comprar coisas para a chuva se nunca sou capaz de treinar à chuva. Para quê? Para molhar os pés e ficar de cama? Gosto do frio. Veste-se mais roupa e o problema fica resolvido. O problema é apenas quando se tenta treinar com o tempo muito frio. Veste-se mais roupa mas depois sua-se mais, sendo complicado arranjar um equilíbrio. Depois temos o ar frio a entrar nos pulmões quentinhos com o exercício e a causar um efeito destruidor. Com o frio, os brônquios são o meu Calcanhar de Aquiles. Quando era miúdo, no Inverno, lembro-me da minha mãe por-me sobre o peito um ‘embrulho’ feito com um pano, contendo papas de linhaça a ferver. Tenho a ideia que o cheiro era bom, como se ali estivesse um prato de Nestum com mel, mas nem isso evitava que eu detestasse aquilo. Que seca, uma pessoa deitada a ter de aguentar uma coisa que quase queimava uma zona onde um dia ainda haveriam de nascer um pelos. Era o que se fazia na altura, para além do Vick Vaporub.

No dia 23 de Janeiro, 2ª Feira, fui correr ao final do dia. Estava um frio húmido mas não havia vento. A corrida correu bem, no dia seguinte é que nem por isso, pois havia uma ligeira dor de garganta. Mau sinal. Mesmo assim não desisti de treinar e nessa semana ainda consegui juntar 3 idas à piscina, 1 ao ginásio e mais 1 corrida. A dor, apesar de ligeira, andava ali e já apanhava um pouco do ouvido. No Domingo, aproveitando mais um lindo dia de sol nesta terrinha, fui correr para o Ludo. Uma corrida que também correu bem, sobretudo porque foram 12Km sem qualquer queixa no joelho, o que me faz acreditar que a sacana da lesão esteja ultrapassada. Mas mal terminei de correr, tossi e doeu-me o pulmão. Pronto. Brônquios lixados. Ida no dia seguinte ao médico para ser brindado com antibiótico e anti-inflamatório. Em resumo, uma semana para esquecer todos os treinos.

Eu nunca poderia ser o Rambo. Fugia da esquadra, escondia-me na floresta e, ao fim de dois dias entregava-me às autoridades cheio de tosse, ranho e febre. Alguma conseguiria andar naquele ambiente frio e húmido só tapado com um oleado? Também felizmente, digo eu, não fui à tropa. Passei à reserva. É que seria complicado:

– SOLDADO! TOCA A MARCHAR!

– Sr Sargento, desculpe lá … dói-me um pouco a garganta e se apanho mais frio vai de certeza atacar-me os brônquios. Se não se importa, fico aqui no quentinho da camarata a beber um chazinho com mel

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2 respostas a O Florzinha de Estufa

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