Ciclistas, esses empecilhos

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Hoje enquanto passava a vista nas gordas do CM, tropecei em mais uma triste notícia: “Ciclista morre atropelado na EN125”. Segundo a notícia, um camião com reboque terá atropelado mortalmente um ciclista que seguia na berma da EN125, perto das Fontainhas. A ter sido assim, mais uma vez, a berma da estrada está longe de ser um lugar seguro para quem pedala. O que dizer então da maior parte das estradas secundárias que não têm qualquer berma e que são usadas por muitos ciclistas por terem menos trânsito.

Aos poucos, de forma muito tímida, nota-se que há mais gente a fazer uso da bicicleta para as deslocações diárias. Um número significativo? Longe disso. Se calhar, aqui entre Faro e Olhão, contam-se pelos dedos das mãos aqueles que fazem isso. Mas sempre são mais que nenhum. O Algarve tem condições geográficas fantásticas para o uso da bicicleta e por vezes dá vontade de pensar porque raio não se veem muitas bicicletas a circularem ao longo das estradas, a servirem de meio de transporte – não poluidor e sem peso na carteira – nas deslocações entre casa e o emprego. Talvez haja vontade de alguns, mas depois, surgem estas notícias e o receio sobrepõe-se ao resto.

Com boa vontade das autarquias avançou-se com as ecovias: «um conjunto de rotas cicláveis, naturalmente vocacionadas para a utilização preferencial de bicicleta. Inserem-se num esquema director definido para o Algarve, esquema esse que é constituído por 4 eixos principais: Ecovia do Litoral, Ecovia do Guadiana, Ecovia da Costa Vicentina e Ecovia do Interior». Mas o que são rotas cicláveis? Na prática, é um risco azul, pintado no alcatrão, onde se espera que exista respeito e atenção por parte dos condutores. Mas se os condutores nem sequer respeitam um traço amarelo, vão dar-se ao trabalho de respeitar um azul? O carro estaciona-se onde tiver que ser e as bicicletas que se desviem para poderem continuar a circular em cimas das «rotas cicláveis».

Pode existir boa vontade e boas intenções por parte dos autarcas, mas depois faltam duas coisas fundamentais: fiscalização e manutenção. Veja-se o triste exemplo de Faro.

(Foto retirada do blogue “Faro Cycle Chic”)

Numa variante à cidade, onde a berma é bem larga, a CM de Faro andou a pintar uma faixa de vermelho para dar prioridade ao uso da bicicleta nesse local. Além disso, ainda delimitou e assinalou essa faixa com pinos refletores. Nenhum desses pinos iria travar um carro que invadisse a berma, mas serviria de aviso e de separação física entre bicicletas e carros. O que aconteceu? Em pouco tempo todos aqueles pinos foram partidos pela passagem dos carros. Alto! Mas os carros não têm uma faixa de rodagem só para eles? Têm. Mas por razões desconhecidas, alguns condutores devem achar que precisam circular com metade do carro dentro da berma da estrada. De início talvez se tenham substituído alguns pinos, mas foi coisa que se deixou de fazer com o tempo. O que se passa é isto: aquela berma dá muito jeito para estacionar e era uma chatice haver ali uns pinos a incomodar a manobra. Fiscalização?

Por aqui, em forma de apelo, falou-se de ciclovias: «Que tal o Sr. Macário Correia mandar pintar umas faixas destas na Av. Calouste Gulbenkian (até têm faixas bastante largas) e outras vias de Faro! E o Sr. Desidério Silva que têm alguma zonas ciclovias bem concebidas em Albufeira, mas têm outras que são um atentado como a que liga Fontainhas-Montechoro!». Pois está bem. Um post que surgiu na sequência de uma notícia que anuncia a intenção da CM de Faro na criação de uma ciclovia com 10 quilómetros de extensão, prevista concluir dentro de dois anos, para ligar a cidade à Praia de Faro. A ver vamos.

O César, do blogue “Plano C”, faz as suas deslocações de bicicleta. Terá Lisboa melhores condições que o Algarve para as deslocações de bicicleta? A verdade é que estas trágicas notícias são sempre um abalo de 9.5 na escala das intenções em usar a bicicleta no dia-a-dia.

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Uma resposta a Ciclistas, esses empecilhos

  1. Lénia diz:

    Triste, muito triste! Podia ser eu,ainda no domingo lá passei sozinha…
    Estas notícias tiram-me cada vez mais a confiança de que alguma coisa vá mudar nos próximos anos. No fundo, sinto até que regredimos no respeito pelo meio de transporte “menor”…
    Medo, muito medo!

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