Triatlo Longo de VR Santo António – Prova Aberta – 2012

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A estreia numa prova de triatlo. Em formato mini, com 300m Natação + 8Km Ciclismo e 2Km Corrida. Partiram 38, terminaram 33 e eu fiquei em 22º lugar com um tempo de 00:39:55. Se gostei? Com exceção da natação, adorei. Mas se pensar na natação, a minha vontade era nunca mais me meter numa coisa daquelas.

Os Preparativos

A prova tinha início às 15h e uma hora antes eu estava lá a ver o ambiente e a entrada no parque de transição (PT) dos primeiros atletas. Fiquei com a sensação destas provas terem uma organização perfeita, diria mesmo, imaculada. Cada atleta é vistoriado à entrada do PT no sentido de se validar que todo o equipamento está em condições e a respeitar as regras. Além dessa verificação exaustiva, a destacar a simpatia e prontidão com que todos os membros da organização se dispõem a ajudar os atletas, no sentido de ultrapassar um qualquer problema técnico com que se deparem. Alguém não tinha forma de prender a chapa de identificação na bicicleta? Foram logo buscar abraçadeiras. A roda da bicicleta parecia prender? Olhe faça assim, faça assado, etc. Impecáveis.

Depois, já dentro do PT, há sempre quem esteja a verificar todos os pormenores e a garantir que nada falha. Eu, que sou gajo que vê muita coisa na Net, escusado será dizer que antes de entrar nesta prova já tinha visto mil e um vídeos no Youtube sobre conselhos acerca da disposição das coisas no PT e sobre a forma de efetuar as transições. Primeira novidade a contrariar tudo o que tinha visto: com exceção das sapatilhas de corrida, tudo o resto tem de ficar dentro do cesto. No que eu tinha visto no Youtube, era costume colocar uma pequena toalha no chão, sobre a qual se dispunha o capacete (caso no ficasse sobre o guiador da bicicleta) com os óculos escuros lá dentro, os sapatos de ciclismo (caso não ficassem logo presos nos pedais), as sapatilhas de corrida e o boné. O cesto ficaria atrás da toalha. Assim, o atleta, depois de despir o fato térmico e enquanto prendia o capacete na cabeça, colocava os pés em cima da toalha de forma a conseguir secá-los um pouco. Nada disso. Não era permitido ter uma toalha no chão com o equipamento em cima. Tudo no cesto.

Mas coube tudo, até os sapatos de ciclismo, os quais não me atrevi a prendê-los nos pedais da bicicleta. Depois foi vestir o fato, coisa que já faço rapidamente e arrancar para a praia.

A Natação

Se a época balnear já tivesse em vigor, teria de estar bandeira vermelha. O mar estava impróprio para a natação. Grandes ondas e uma corrente fortíssima a puxar para Barlavento. Antes de entrar na água ainda pensei em todos os treinos que tinha feito na piscina, no aperfeiçoamento da técnica e no deslize na água … tá bem abelha! Aquilo iria ser uma autêntica prova de sobrevivência onde a principal preocupação seria não afogar-me. Outro senão, os óculos, que no treino feito no mar tinham correspondido às expectativas, desta vez, ficavam embaciados e sujos em alguns pontos, o que dificultava a visão. Se nadar com ondas já era mau, nadar sem ver grande coisa ainda era pior.

Entrei na água, corri até onde pude e comecei a levar com as primeiras ondas. Quando pensei que o pior já tinha passado, vejo um vagalhão à minha frente e só me lembrei dos desenhos animados Looney Tunes e daquilo que disse o gato Sylvester quando estava dentro de um comboio e viu um cofre a vir na sua direção: “Oh mother!” …. Catrapum! Onda em cima, completamente enrolado e a engolir vários pirolitos. Eu bem tentava enfiar a cabeça na água para nadar, mas era impossível. O Crawl era feito com a cabeça fora de água, como se eu não soubesse nadar e estivesse ali a tentar não me afogar. E no meio daquele caos lembrei-me que Bruços é sempre uma boa alternativa e foi assim que me safei até virar a segunda boia. E só no trajeto de regresso à praia é que consegui começar a dar várias braçadas em Crawl e a avançar a um ritmo acima do vergonhoso.

A transição Natação / Ciclismo

Saí da água e parecia que tinha estado a tentar bater o record dos 400m. Estupidamente ofegante e com a sensação de metade dos pulmões estarem cheios de água do mar. Mas a partir daí a coisa melhorou. Julgo ter sido relativamente rápido a despir o fato. Mesmo assim, com treino, acredito que possa fazer ainda melhor. Por os óculos, capacete, calçar sapatos de ciclismo, pegar na bicicleta e … o dorsal cai-me pelas pernas abaixo. Raios! Toca de apertar aquilo na fivela. Depois foi correr ao longo do PT com os sapatos de ciclismo e perceber que, além de ser escorregadio, não é prático. Parar, subir para a bicicleta, prender um pé, pedalar e arrancar. Tudo bem.

O Ciclismo

Olho para o Garmin e … WOW! 180bpm? Então quando saí da água estava a quanto? 190? 200? ui, ui. De imediato deve ter soado a campainha de alarme no cérebro, o que fez entrar em ação todos os procedimentos internos de segurança. Era preciso pedalar mas também era preciso controlar o ritmo para que a máquina ficasse a funcionar numa zona de segurança. E entre uma coisa e outra, segundo o Garmin, fiz um ritmo médio de 30Km/h. Acho pouco e acho que pode ser melhorado com mais treinos. Aliás, neste segmento há que treinar muita coisa. Por exemplo, a curvar a 180º. Eu fazia as inversões de marcha tão devagar que, se em vez um fotógrafo ali estivesse um desenhador, o tipo teria tempo de me desenhar lápis. Aquilo que pude constatar: quem ali aparece com uma bicicleta de BTT não tem qualquer hipótese face às bicicletas de estrada. Até poderá ser um excelente nadador, mas depois, a pedalar, irá perder todo o avanço que tiver ganho a nadar. Não posso falar sobre ‘andar na roda’ ou no meio de um pelotão, pois circulei sozinho durante todo o percurso. Melhor assim.

A transição Ciclismo / Corrida

Cheguei à entrada do PT, parei, tirei os pés do pedais e corri com os sapatos calçados. Mal entrei no PT sinto o dorsal a escorregar pelas pernas abaixo. Ok. Tinha acabado de contribuir para o momento hilariante do dia. Espero que a cena não se torne vídeo viral no Youtube. Agarrei no dorsal e levei-o na mão até ao local onde iria deixar a bicicleta. Desta vez, uma transição bastante rápida, apenas manchada pela necessidade de apertar o cinto do dorsal com um nó para que não voltasse a cair.

A Corrida

Em 2Km de prova e com cerca de 3 dezenas de participantes em prova, não seria de esperar que houvessem grandes novidades. Repeti o ritmo que fiz nos treinos, com uma média de cerca de 4:50min/Km. Podia ter sido mais rápido, mas o coração ainda andava destrambelhado por causa da natação. Num segmento onde eu sei que a maioria corre mais depressa do que eu, perdi apenas uma posição. E pronto. Estava feito o primeiro triatlo. Venha Quarteira.

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11 respostas a Triatlo Longo de VR Santo António – Prova Aberta – 2012

  1. migtorres diz:

    Muito bem! Quanto às sensações na natação, isso também me aconteceu, no primeiro triatlo, e no segundo, e no terceiro… Acho que só no último é que fiz a prova mais controlada, mas de resto foi sempre difícil. O que é certo é que sem entrar em pânico as coisas acabam por acalmar a partir de metade da prova. Agora tens que multiplicar os participantes por 10 e pensar como será entrar naquela água com mais 300 pessoas

    • 🙂 Miguel, não consigo, ou melhor, acho que nem quero imaginar. Seja nadar com tanta gente, seja pedalar no meio de muitos, pois penso logo em trambolhão. De qualquer forma, espero que até Quarteira, Neptuno faça o mar acalmar. Hoje isto está na mesma e até há aviso amarelo para o litoral algarvio por causa de ondulação forte

  2. joao rita diz:

    Quais ondas?, se as houvesse a FTP, teria transformado a prova num duatlo, por isso tiveste em grande!!!
    Boa prova para Quarteira e continua

    http://estremoztriatlo.blogspot.pt/

    • Obrigado João. Em Quarteira espero sinceramente que o mar acalme. Não porque que eu seja melhor nadador que os restantes e tenha mais vantagem assim, mas porque sei que assim sempre terei mais rendimento e chegarei à praia menos cansado.
      Mas hoje estive a ver os vossos tempos e fiquei maravilhado. Vocês são ‘grandes máquinas desportivas’. Tu fizeste 00:39:09 para nadar 1900m com o mar revolto. Isso é mesmo fantástico. Agora o que é preciso é curar de vez essa lesão.

      • joao rita diz:

        Nós não somos maquinas, temos é ter tempo para treinar, na verdade fiz 35′ pois os 4′ a + foram despropositados porque fiquei a dormir no parque de transição , culpa de um juiz que me trocou o equipamento!!!,. Outra que tu não sabes é que eu e o Varela quando começamos demoravamos mais tempo nos 1,5k do que agora nos 1,9k, por isso se tiveres tempo e pachorra não desanimes que eu aos 35 anos fazia 25m e afogava-me

    • João, eu tenho por hábito mencionar o corpo humano como uma ‘máquina’ perfeita – num sentido de admiração de uma grande criação da natureza – que precisa de rotação para ser afinada para níveis mais elevados de rendimento, neste caso, os treinos. Mas para atingir níveis elevados, também é preciso que ela ande a ser afinada desde muito cedo. Alguém como no meu caso que passou quase duas décadas a fumar e sem fazer quaqluer exercício, por mais boa vontade que tenha, por mais que treine, nunca irá conseguir tirar grande rendimento do seu coração. Tenho treinado e evoluído, é certo, mas isto não deverá ir muito mais longe. Seja como for, todos vocês do Louletano são uma enorme inspiração para mim e posso dizer que ‘caí em boas mãos’ para conseguir evoluir nesta modalidade

  3. Ganfas diz:

    Parabéns Luís independentemente do tempo e da forma como correu a prova terminaste-a, é o mais importante.
    Gostei de ler o relato que fizeste, bastante interessante, parecia que estava a ver um filme 🙂

    Abraço

    • Obrigado Ganfas. Um dia tens de experimentar uma coisa destas, pois a sua dinâmica é muito empolgante. Tu sais da água e a tua cabeça já vai a pensar em todos os passos que tens de efectuar na transição. Já vais a imaginar todos os gestos para que aquilo seja feito da forma mais rápida possível. Por fim a corrida é sempre uma coisa estranha: queres mexer as pernas mas parece que elas não respondem. Tu achas que vais devagar mas o Garmin diz-te que até vais depressa

  4. Lénia diz:

    Belo texto, Luís! Até parece que lá estive a acompanhar-te… Vais ver que com mais umas provas, ficas vacinado contra todos os imprevistos e dificuldades.
    Bem, e agora só nos resta esperar por Quarteira. Quanto ao mar, não estou minimamente preocupada, o que me incomoda é mesmo a chuva e o piso molhado no segmento de ciclismo. Sendo o ciclismo o segmento mais difícil para mim, imagine-se com estrada escorregadia…
    Vamos confiar em São Pedro e tudo correrá bem.

    • Obrigado Lénia. Eu nem me apeticia participar naquela prova pelo simples facto de saber que me ia cansar para o dia seguinte. Mas foi muito bom lá ter estado. Vi como tudo se processa, identifiquei erros básicos que podem ser anulados no futuro, vi onde posso poupar tempo e fiquei com uma ideia sobre a melhor forma de gerir o esforço.
      De resto, seria muito bom que o São Pedro nos brindasse com um dia igual aquele que esteve quando fizémos o treino em Vilamoura, sem chuva, sem vento forte e o mar lisinho 🙂

  5. Pingback: XI Triatlo Cidade de Quarteira – C. N. Clubes | Ma Ke Jeto, Mosso on Sports

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