XI Triatlo Cidade de Quarteira – C. N. Clubes

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Domingo, 1 de Abril, sem mentira, depois de vários meses de treino deu-se finalmente a estreia numa prova de triatlo ‘a sério’ na distância de Sprint: 750m Natação + 20Km Ciclismo + 5Km Corrida. Digamos que a prova da semana anterior, em VRSA, pela distância que foi, tratou-se apenas de um ensaio e treino para a estreia em Quarteira.

Está feito, tendo superado todas as expectativas. Um triatlo sprint feito em 01:18:35, com os parciais de 00:13:47 / 00:41:03 / 00:23:45. Por aquilo que fazia nos treinos de forma separada e admitindo um acréscimo de tempo pelo acumular do cansaço causado pelas 3 provas, eu estimava que concluísse entre 01:25:00 e 01:30:00. Seriam 15 min para nadar, o que daria 2’ a cada 100m, um ritmo que já tinha sido ensaiado na piscina. Depois uns 45’ a pedalar e por fim, uns 25’ a correr, faltando ainda somar o tempo das transições. Assim, além da satisfação por completar uma prova bastante exigente, somou-se a surpresa ao ver aquele tempo no cronómetro sobre a meta. Agora, sopas e descanso.

A Natação

Triatlo Quarteira Natação

Era o segmento onde tinha mais dúvidas e onde tudo poderia acontecer. Desta vez, a enorme diferença em relação a VRSA, é que o mar parecia uma piscina. Não que eu seja grande nadador e fosse tirar partido da minha apurada técnica num mar calmo, longe disso, mas pelo menos não teria de me preocupar em lutar contra vagalhões, incapaz de mergulhar a cabeça para nadar, lutando para não engolir pirolitos e com a respiração totalmente descontrolada. A grande dúvida era saber como iria reagir ao facto de entrar na água com outros 300 vestidos com um fato de borracha (à exceção de 1 herói que por lá andava de fato de lycra, indiferente à água gelada) e a ter de nadar no meio de muitos encontrões e água a borbulhar.

Outra enorme diferença em relação a VRSA, foi a possibilidade de fazer um bom aquecimento dentro de água antes da prova. Julgo que isso fundamental para aumentar o rendimento após a partida. Primeiro, deixei o corpo habituar-se à temperatura da água, em particular, a cara. Das vezes que nadei no mar, o choque térmico ao entrar na água e a água fria na cara, tornavam a respiração ofegante, difícil de controlar. Tendo isso controlado, o passo seguinte foi nadar uns 10 min de forma descontraída. Depois, saída para a praia, corrida de aquecimento, alongamentos e novo regresso ao mar para um sprint de saída e um sprint na chegada à praia. Isso foi o suficiente para me deixar confiante, a pensar que as coisas poderiam correr bem. A menos de 5 min da partida estávamos quase todos alinhados na praia. Foi aí que tive a noção da quantidade de gente que iria entrar no mar para nadar e apontar à primeira boia. Eram muitos. Para mim, estreante nesta andanças, eram mesmo muitos.

Partida dada, corrida para a água e entrada com cuidado, sem mergulhos ao estilo Zézé Camarinha, para não perder os óculos. Primeiras braçadas, alguns encontrões e a tentativa, utópica, de arranjar um espaço onde pudesse estar sem ser incomodado. No meio daquele caos só tinha duas preocupações: não levar uma cacetada na cara dos pés do nadador da frente e conseguir controlar a respiração. No primeiro caso, as mãos serviam para medir a distância de segurança e evitar acidentes. No segundo caso, poderia ser a diferença entre ficar de rastos naquele segmento, sendo mesmo obrigado a boiar por um bocado para controlar as coisas, ou conseguir impor um bom ritmo constante. Aos poucos, as coisas pareciam estar bem encaminhadas. Julgava ter ganho um espaço só meu e seguia na esteira do nadador da frente. Mas isso durou pouco. Naquela confusão nem tentei respirar de forma bilateral, pois achei que iria cansar-me mais. Optei por ir sempre a respirar para o lado esquerdo. Por causa disso nem me apercebi de um nadador que apareceu pela direita e que se atravessou na minha trajetória, obrigando-me a deixá-lo passar e a perder balanço.

Passado esse percalço, consegui manter o ritmo e fui a guiar-me pelo nadador à minha esquerda. Tenho a noção que isto possa ser um erro e deva ser evitado em provas futuras, mas à custa disso consegui evitar ter de levantar muitas vezes a cabeça para ver onde estava a boia. Felizmente o nadador do lado tinha boa orientação e conseguia seguir um rumo certinho, senão … Chegámos à primeira boia e, ao contrário das expectativas, consegui curvar sem grande confusão ou encontrões. A partir desse ponto a história é bem diferente pois passa a haver mais espaço para nadar e até nos podemos concentrar mais na técnica das braçadas. Sem grande história, nadámos paralelos à praia e contornámos a segunda boia. Havia ainda que apontar de forma oblíqua em direção à praia para contornar a terceira boia. Finalmente seria sempre a direito até à babuja. Sentia-me bem e com tudo controlado, por isso nadei um pouco mais rápido na parte final.

A chegar a terra, não cometi o mesmo erro que fiz em VRSA: nunca parar de nadar sem que um dos braços tenha tocado na areia. Em VRSA achei que já poderia correr, tentei levantar-me e água dava-me pelo peito. Uma péssima opção que me fez perder mais tempo. Agora senti a areia na mão, levantei-me e foi só tentar começar a correr. Olhei para trás e achei que não estava mal colocado. De facto, o meu tempo de 00:13:47 correspondia a uma média de cerca de 1’50’’ por cada 100m, ou seja, 10’’ abaixo do ritmo que andava a fazer nos treinos.

A transição Natação / Ciclismo

Tudo sucedeu a bom ritmo sem atrapalhações. Em relação aos sapatos da bicicleta, depois de muito ponderar sobre isso, decidi manter a decisão de os calçar no PT e correr com eles. Talvez no futuro venha a mudar de opinião, mas para já, não vejo qualquer benefício no facto deles poderem ir já presos aos pedais versus o risco de me estatelar no chão ao tentar subir para  bicicleta em andamento. Aliás, os poucos segundos que possa perder nisso seriam desprezáveis caso conseguisse pedalar mais depressa.

O Ciclismo

Triatlo Quarteira Ciclismo

Quando chego a esta parte estou sempre curioso de ver em quanto estão as pulsações. Desta vez estavam em 175bpm. Mesmo nadando o dobro da distância e mais rápido, sempre era mais baixo que os 180bpm que tinha em VRSA. Com exceção de uma subida exigente em esforço, todo o percurso era bastante plano, ajudando a impor uma média elevada. Aproveitei esse facto e a enorme recta da avenida de Quarteira para descansar um pouco, começar a hidratar-me e ingerir um gel energético que tinha preso com um elástico ao guiador da bicicleta. Depois disso e até ao fim desse segmento, parecia Déjà vu em relação a VRSA: voltei a pedalar a uma velocidade média de 30Km/h e voltei a andar sozinho o tempo todo. Como é possível que com tanta gente a pedalar naquelas avenidas eu não consiga ir num grupo onde seja puxado pelos da frente? Nos 3 segmentos, o ciclismo é onde eu preciso treinar mais para evoluir. Com um tempo final de 00:41:03, bastava ter feito menos 2’ para ter subido umas 15 posições na classificação final. E não creio que seja assim tão difícil baixar 2’ num percurso de 20Km.

A transição Ciclismo / Corrida

A destacar a chegada ao PT. Na véspera tinha treinado tentar tirar pés dos sapatos em andamento, para que os últimos metros fossem feitos com os pés a pedalar em cima dos sapatos. A vantagem é que depois já poderia correr mais depressa dentro do PT e seria menos uma coisa que teria de tirar na transição. Correu sem problemas e fiquei contente por ter dominado este processo. Desta vez, esta transição foi bastante rápida.

A Corrida

Triatlo Quarteira Corrida

Apesar de tudo estava a sentir-me bem e nem achei que as pernas estivessem muito destrambelhadas. O ritmo médio andava perto dos 4:40/Km e isso seria suficiente para fazer abaixo dos 25’’, o tempo que tinha estimado fazer. As pulsações também se mantinham controladas entre os 164 e 167bpm o que me permitia ter ainda alguma folga para gerir o esforço. Por isso lá segui mais ou menos ao mesmo ritmo, efetuando um sprint final para evitar perder a posição para um adversário que se estava a aproximar. Chegada à meta, palmadinha da mão de um miúdo na assistência ao rubro com tanto esforço e … gesto de vitória com o punho fechado, como que a gritar: “WOOOOOO! DESAFIO SUPERADO!”. Tempo final neste segmento de 00:23:45, praticamente o mesmo que tinha feito na semana passada na meia maratona de Lisboa, com a diferença que esse tempo tinha sido obtido com cerca de 3Km de descida contínua e acentuada. 

Foram vários meses a treinar para este dia, a que se juntou determinação e vontade de cumprir um objectivo que foi imaginado em Agosto de 2011. Agora é fazer mais provas e insistir na fórmula anterior para poder pensar em subir a fasquia.

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6 respostas a XI Triatlo Cidade de Quarteira – C. N. Clubes

  1. Fernando Cardoso diz:

    gostei de ler optima experiencia luis, obrigado por partilhares

    • Fernando, sobre o que temos falado da natação, naquele dia eu tive muita sorte em apanhar o mar calmo. É que faz toda a diferença. Mais agitado e torna-se numa luta enorme para respirar em condições e evitar o cansaço extremo. Quem nada a apenas piscina não faz mesmo ideia do que é nadar com água gelada, num mar agitado e com outros em cima de nós 🙂

  2. migtorres diz:

    Grande triatlo e grande tempo. É certo que era um percurso fácil e ideal para começar, mas isso não retira mérito ao grande tempo que fizeste. Na água, toda a teoria que leste valeu a pena, já que passaste quase incólume à confusão. Eu próprio demorei bastante a habituar-me. Além disso, as horas passadas na piscina resultaram. É preciso é manter a cadência.
    No ciclismo 30 km/h não é nada mau. Talvez te tenha faltado reacção às rodas que passam por ti. Há ali uma altura em que o elástico estica e nós temos que levantar mais as pulsações (e aumentar o desgaste) para descansar a seguir na roda. Claro que isso é uma questão de experiência, mas aconselho-te na próxima a tentar esse esforço extra.
    Na corrida é que ainda podes fazer melhor, conseguem-se fazer estes 5km a ritmos bem superiores aos de uma meia.
    Grande estreia e ainda melhores perspectivas. Qual é o próximo?

    • 🙂 Obrigado Miguel. Eu ainda continuo a olhar para aquele tempo e a pensar como o consegui fazer, em aprticular, a parte da natação. É na piscina, conta-se 25m de cada vez e até existe um cronómetro para ir olhando. Ali, com excepção daqueles ‘sortudos’ com um Garmin 910 :), não há qualquer referência ao tempo que se está a fazer. O único indicador é o esforço que estamos a fazer e a capacidade de o gerir da forma mais eficaz. Podemos ir de facto depressa e nem ter a noção disso. Lá está, eu dei por mim a impor uma cadência e função do vizinho do lado, pois lá terei achado que o seu ritmo seria o ideal para mim.
      Sobre o ciclismo e o desgaste eu vou depois publicar um post com os gráficos dos meus batimentos, que mostram muito bem como tem sido a minha gestão. Neste caso, tem sido de poupança. Mas é como dizes, houve alguns que passaram por mim que depois nem se afastaram muito. Se eu tivesse puxado nessa altura, poderia ter tentado acompanhá-los e tirar partido de ‘seguir na roda’. É mesmo coisa que tenho de melhorar nos treinos e aplicar numa futura prova.
      No correr mais depressa é que tenho sérias dúvidas 🙂 Tenho evoluído alguma coisa, é certo, mas resta saber se ainda consigo ir mais rápido que isto sem que a máquina suba para rotações proibitivas.
      Próximo? Bem … talvez a 13 de Maio em Ayamonte. Na semana seguinte há também o triatlo de Sevilha com provas em Sprint e Olímpico. Mas isso já começa a ser difícil de gerir. Mais provável será Peniche, onde o Louletano marca sempre presença em força, e talvez Oeiras.

  3. Ganfas diz:

    Espectáculo Luís, adorei ler esta tua experiência no triatlo. Parabéns pelo resultado

    • Obrigado @Ganfas. Aquilo tem um ambiente fantástico. Tal como sucede depois da estreia numa competição de corrida, se a vontade é voltar a repetir rapidamente, ali acontece o mesmo. Agora até ao final de Abril, vai ser apenas para treinar. Depois logo se vê se participo dia 13 de Maio no triatlo de Ayamonte. Pelo menos tem a vantagem de ser mais um perto de casa

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