VIII TRIATLON VIRGEN DEL CARMEN – AYAMONTE

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Domingo, 13 de Maio, dia de ir a Espanha participar no “VII TRIATLON VIRGEN DEL CARMEN”, em Ayamonte. Um dia que amanheceu quente e sem vento, fazendo prever mossa no final da prova. De salientar que o segmento de ciclismo tinha apenas 18.400m, um pormenor que teria de ser tido em consideração na posterior comparação com tempos realizados em provas na distância “Sprint” (750m natação + 20Km ciclismo + 5Km corrida). O tempo final de 01:12:46 carece assim de uma correção para poder ser comparável.

Os preparativos

Estas são provas que envolvem grande logística. Não é como na corrida, onde praticamente só se pensa nuns ténis, calções e camisola. Nas provas de triatlo é preciso pensar a triplicar, mais os pormenores que são transversais a todos os segmentos. Por isso, de véspera, é importante preparar e arrumar tudo com calma, e pensar em todos os detalhes para que nada falhe no dia da competição.

Na natação é preciso pensar no Tri Suit, no Wet Suit (caso seja provável que a água vá estar fria. Na dúvida, leva-se sempre), nos óculos (mais uns de reserva, já que homem prevenido …), nos tampões para os ouvidos (já que a água fria ou a ondulação pode causar chatices nos dias seguintes) e no creme para evitar assaduras no pescoço por causa da fricção do Wet Suit. No ciclismo é preciso garantir que a bicicleta está afinada e com pressão adequada nos pneus. Levar capacete, óculos (um mosquito, para não dizer um besouro, a embater num olho a 30 e tal Km/h pode aleijar bastante), sapatos de ciclismo e garrafa com bebida isotónica. Para a corrida é pensar nos ténis e num boné. No caso de ser uma prova do campeonato nacional de triatlo, não esquecer a touca, dorsal e chip, com a identificação do número na federação. Por fim, pensar nos abastecimentos com gel energético e elásticos para prender os sapatos e/ou o gel energético à bicicleta.

Mesmo assim, há sempre um pormenor que pode escapar. Foi o caso desta prova. Esqueci-me que, não sendo uma prova do campeonato nacional de triatlo, haveria um dorsal que teria de usar no ciclismo e na corrida. Para isso convém ter um cinto onde se possa prender o dorsal. Quer dizer, o dito cujo até podia ser preso com alfinetes-dama ao Tri Suit (e a organização fornecia os alfinetes), mas isso era se fosse nadar com o Wet Suit por cima, já que de outra forma o mais certo seria o dorsal desfazer-se durante o segmento da natação. A questão é que nos informaram que a água estaria a uns 22ºC e que não seria para nadar com Wet Suit. Boa. Solução? Houve quem me emprestasse o seu cinto do dorsal da FPT e assim já deu para prender aí o dorsal com os alfinetes.

Outro pormenor. Ainda não tinha havido um dia tão quente. E o sol, como se sabe, queima. Por isso, de futuro, nunca esquecer o protetor solar. Apanhei um rico escaldão e fiquei com as marcas do Tri Suit … nice.

Os percursos

Ponto positivo: o segmento de natação foi feito na praia da Isla Canela, em vez de se atravessar o Guadiana até VRSA, tal como sucedeu nos anos anteriores.

Triatlo Ayamonte Trajectos

A Natação

Estava desconfiado em relação à anunciada temperatura da água. Também é certo que quanto mais velho sou, mais exigente vou ficando com a temperatura da água. Para as minhas filhas, a água do mar está sempre boa, até mesmo quando já estão com lábios roxos e a tremer ao fim de poucos minutos. Eu já estou naquela fase em que a temperatura da água tem de ser idêntica à dos trópicos para que a considere boa para banhos. Fui fazer o aquecimento, coloquei o pé na água e … Brrrr. A primeira impressão foi que estava fria. Bom, nada a fazer. Comecei em bruços e de cabeça de fora da água, tal como fazem muitos velhotes estrangeiros que costumo ver no Verão em grandes sessões de natação ao longo da praia. Finalmente mergulhei a cabeça na água, comecei a nadar crawl e … Wow! É lá! A água estava afinal um grande caldinho. Espetáculo. Tão boa que nem me apeteceu sair dali quando comecei a ver os restantes na praia a irem para o local da partida.

Saí da água, uma corridinha, uns alongamentos, umas fotos e fiquei pronto para a partida. Confissão: apesar de nos treinos a natação ser aquilo que mais gosto de fazer, nas provas, está a tornar-se no segmento que menos aprecio. Porquê? Pela confusão. É complicado andar no meio de tanta gente a tentar chegar à primeira bóia, controlar a respiração,  conseguir encontrar um ritmo ideal e recuperar de algumas paragens que se tem de fazer por causa de alguém que nos corta o caminho e que fica a bater os pés muito próximo do nosso nariz. Imagine o início das provas de corrida, onde nas primeiras centenas de metros vamos sempre com cuidado para não tropeçar no da frente ou não bater nos do lado quando se ultrapassa. Imagine agora essa confusão dentro de água, onde a ação «desviar» ou «ultrapassar» é feita de forma muito mais lenta e de execução muito mais complicada. Há encontrões, há cacetadas, a água borbulha à nossa volta e parece um caos. É claro que podemos começar dos lados ou ficar mais para trás na partida, evitando assim a confusão principal. Mas isso, já se sabe, irá fazer perder mais tempo em relação aos restantes.

Ouviu-se o sinal da partida e eu corri lentamente para a água. Desta vez tentei não me enfiar no local onde a confusão é maior. Mesmo assim, como saí na zona do meio, seria provável apanhar com confusão por causa do esperado afunilamento para passar a primeira boia. E assim foi. A certa altura, um atrás de mim começou a bater-me nos calcanhares com cada braçada que dava. Além de ser algo extremamente irritante também me abrandava o ritmo. A solução foi fazer um sprint e tentar fugir daquele tipo que me estava a assediar os pés. Depois começo a levar pancadas de um que vinha pela direita. Ó fosga-se. Está provado: até à primeira boia é sempre o caos e pouco há a fazer para evitar isso. Felizmente que depois da primeira boia fica sempre mais espaço para nadar, sendo também a parte onde se consegue começar a fazer um rimo mais elevado e controlado. Ao contornar a segunda boia e já no regresso à praia, fiquei misturado num grupo de uns oito nadadores e tive novamente que me preocupar em não levar cacetadas e em tentar impor um ritmo mais elevado para sair dali. Em resumo, dou por mim a desejar que o segmento da natação termine o mais depressa possível.

Só mais uma nota. Uma coisa é nadar com um Wet Suit, feito com materiais que nos fazem flutuar ou deslizar melhor. Outra é nadar com um Tri Suit que em nada contraria os efeitos do princípio de Arquimedes ou o deslize. Por isso, como não houve registo de tempos parciais, admito que tenha sido bem mais rápido a nadar no triatlo de Quarteira.

A transição Natação / Ciclismo

Para além da vantagem de não ter sido necessário tirar um Wet Suit, nada mais houve a destacar.

O Ciclismo

Havia pouco vento, fazendo-se notar mais no trajeto de regresso de cada volta. Para não variar, lá fui sozinho a pedalar e a apreciar a paisagem. “Andar na roda” é uma cena que não me assiste. Eu bem tento colar-me a alguém, mas ou são muito mais rápidos ou mais lentos. Será que ainda está para nascer o triatleta que pedale ao mesmo ritmo que eu?

Segundo o Garmin andei a uma velocidade média de 30.6Km/h. Podia e devia ter feito melhor que isso, já que essa média foi praticamente igual à média que fiz em Quarteira, onde havia uma subida lixada que dava cabo do ritmo. Ali em Ayamonte era tudo plano, a convidar para um ritmo bem elevado.

Este é de facto o segmento onde eu posso evoluir mais, mas continuam a faltar treinos para que isso se concretize.

A transição Ciclismo / Corrida

Sem espinhas.

A Corrida

Segundo o Garmin o ritmo médio foi de 4:43min/km, exatamente o mesmo que fiz no triatlo de Quarteira, sendo por isso de admitir que tenha feito perto dos 23:50 neste segmento. Apesar de ter mais treinos de corrida, não houve evolução em relação à prova realizada um mês antes.

O Tempo final

Então é assim: o tempo final, segundo a tabela classificativa, foi de 01:12:46, 62º entre 83 que terminaram.

A esse tempo é necessário estimar o valor correspondente aos 1600m em falta do ciclismo, para se poder comparar com outras provas. Para isso admiti o valor médio de 30.6Km/h a que pedalei, ou seja, o que daria cerca de 03:08 para percorrer essa distância.

Isto corresponderia um tempo final estimado de 01:15:54, cerca de menos 3 minutos que o tempo realizado no triatlo de Quarteira.

Ora se pedalei e corri praticamente ao mesmo ritmo, isso quer dizer que nadei muito mais rápido? É que não fiquei com essa sensação, muito pelo contrário. Ó pá, que se lixe o tempo.

Observações

Estava muito calor. Terminei a prova e até me sentia bem. Mas depois, fui almoçar e … ó lá, lá. Numa escala de 0 a 10 para o nível de cansaço, diria 9. Isto leva-me a pensar em Vila Viçosa, a 15 de Julho, no interior alentejano, com uma temperatura que deverá estar bastante agradável e a ter de fazer uma distância o dobro desta … complicado.

Depois do triatlo de Quarteira e do “incidente do Vinho do Porto”, foi com enorme satisfação que constatei estar tudo dentro da normalidade após ter feito a primeira mijinha pós-esforço.

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14 respostas a VIII TRIATLON VIRGEN DEL CARMEN – AYAMONTE

  1. Anónimo diz:

    Caro Luis
    Parabéns por mais uma participação e pela excelente classificação e tempos alcançados.
    Um abraço

  2. migtorres diz:

    Parabéns! Grande tempo! Nunca andei na casa de 1:12!

    • 🙂 Miguel, já andaste sim. Bastava que a parte do ciclismo só tivesse 18.400m como foi o caso desta prova. Pelas minhas contas, para comparar com uma prova de Sprint, o tempo ajustado terá sido de 01:15:54

  3. Lénia diz:

    Acho que com aquele calorzinho bom, até nem nos saímos muito mal…Bjo e até breve! Ah, e obrigada pelo champô. Há uma carrada de gente a dever-te uma nova embalagem, portugueses e espanhóis! O que tu não fazes para não teres gente mal cheirosa à tua volta, eh, eh, eh…

    • 🙂 Abusadores. Aquilo mais parecia um anúncio da AXE. Da próxima levo uma barra de sabão azul e branco.
      Em relação ao cinto: Quando me disseram que era para nadar sem Wetsuit, foi um choque. Eu sabia que algum dia iria ter de nadar sem o Wetsuit, mas até aquele momento, toda a logística estava pensada em termos de se poder usar um fato de borracha a proteger o resto, p.e., o dorsal (que ia logo posto) e o cinto do Garmin. Ali, comecei por pensar como raio é que ia nadar com um dorsal de papel preso ao peito. Felizmente que lá pareceu aquele cinto de dorsal da federação (menos um problema). Depois é que pensei como raio é que iria fazer com o cinto do Garmin. Colocá-lo na transição para a bicicleta estava fora de questão pelo tempo que se perdia a fazer isso. Baixar o fato, prender o cinto e voltar a subir o fato, molhado e em grande velocidade? Nem pensar. Creio que vi alguém do Louletano com o cinto posto e perguntei se ia assim para dentro de água. Disse-me que sim, que não havia problema, que o tipo aguentava aquilo. Bem …. confesso que fiquei muito desconfiado e com medo que o dito cujo se avariasse à séria, sendo depois obrigado a gastar uns 50€. Benzi-me, fiz figas, atirei-me ao mar, nadei e … surpresa das surpresa, o tipo ainda enviava sinal para o relógio quando o coloquei (relógio) na transição para a bicicleta. Assim já sei que é um descanso. Vou logo com ele posto

    • 🙂 João, isso é para mim uma distância utópica. Em 2013, se não houver chatices, contratempos ou outros azares, tenciono participar no triatlo longo de Lisboa. Tenho ainda um ano para me preparar até lá e espero conseguir atingir mais esse objectivo. Mas para isso, conto contigo e com muitos outros do Louletano para me aconselharem em tudo o que eu possa fazer para a preparação. Sobretudo ouvir a vossa experiência em provas longas

  4. Lénia diz:

    Então e tu usas o cinto da garmin dentro de água ou só o colocas no PT?

  5. Joao rita diz:

    Não é utópico, só precisamos de tempo pró treino e (€) uma famila que nos apoie. As lesões não apareçam. Quando se faz o 1º fica-se tridependente é algo indiscritivel.
    Bons treinos e até breve
    http://www.estremoztriatlo.blogspot.pt/

    • João, dessas ‘tri-coisas’, o maior entrave neste momento é mesmo o (€). Quando as vacas eram gordas, eu nem imaginava que me pudesse meter no triatlo. Nessa altura a disponibilidade a esse nível permitiria pensar em grandes coisas. Agora é tudo muito complicado. Até uma simples ida a Ayamonte tem custos que nos obrigam a ponderar se são viáveis de suportar nesta altura ou não. Felizmente que treinar ainda é de graça (tirando a piscina) e em tempo de crise profunda, é algo que se pode ir fazendo sem afectar o resto

  6. Anónimo diz:

    tens toda a razão quantos aos €,, e aquém tu o dizes que o senti nas entranhas… mas olha só se aqueles ????? me tirarem todos os € mas pelos um desses T.L. um por ano quero realizar, Há que não desanimar,para não dar o prazer sublime aquém nos pôs a mendigar.
    Não desistas, pois quem faz 4km de natação …..
    Bons treinos e até breve
    http://www.estremoztriatlo.blogspot.pt/

  7. Pingback: Domingo vamos todos à Isla Canela | Ma Ke Jeto, Mosso on Sports

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