XXV Triatlo do Ambiente, Oeiras – C. N. Clubes

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10 de Junho, Dia de Portugal e manhã dedicada à 25ª edição do Triatlo do Ambiente, em Oeiras. Um evento que contou com participação de 677 atletas, repartidos da seguinte forma: Prova aberta com 81 estafetas e 223 triatletas e prova do campeonato nacional de clubes com 373 triatletas. Cheio de dúvidas (existenciais?) sobre o comportamento da perna esquerda na corrida, lá consegui terminar a prova com um tempo total de 01:20:06 e parciais de 00:14:20 / 00:41:14 / 00:24:31.

A Natação

triatlo oeiras

Foi péssimo. Horrível. Para esquecer, ou melhor, para me lembrar e não repetir os erros. Não há duas provas iguais. Não é pela natação ter corrido lindamente em Quarteira, que se pode esperar ter desempenhos iguais para condições semelhantes. Antes da partida, fiz-me ao mar e nadei o suficiente para aquecer o corpo e habituar-me à temperatura da água. Tinha tempo e fiz tudo com calma, que é como gosto de fazer estas coisas. Fui para a linha de partida e juntei-me aos restantes 372 triatletas que se iriam lançar à água dentro de minutos. Eram muitos e já se esperava grande confusão na água. A verdade é que não nadei mal por serem muitos. Não foi aquela confusão que deu cabo do meu desempenho. Parti bem à esquerda na praia (como se pode ver pela foto), numa zona onde até nem deveria haver grande confusão. Ouviu-se a buzina da partida, corri, atirei-me à água e comecei a nadar procurando o meu espaço entre os adversários mais próximos.

Aqui terei feito o primeiro erro, ou o grande erro. Comecei a nadar depressa demais. Talvez o objectivo fosse arrancar rápido para depois ir mais lento quando a confusão fosse menor. Na piscina, com muitos pontos de referência, é fácil controlar ritmos. Mas ali, no meio de vários e sem perceber quem é que tem um ritmo que podemos acompanhar, é muito, mas mesmo muito fácil perder o controlo. Pelo menos enquanto somos inexperientes nestas andanças. Terei começado depressa demais. A certa altura olhei à procura da primeira boia e vi que deveria estar a meio caminho. Tinha nadado uma distância curta, mas já me sentia de rastos. O Wetsuit parecia-me muito mais apertado que o costume, fazendo-me sentir que estaria a impedir a correta respiração. Depois parecia-me estar a engolir alguma água. Pior, dei por mim a nadar sem mergulhar devidamente a cabeça na água, como se estivesse a jogar polo aquático. Isso tudo somado foi o suficiente para entrar em stress e a sentir-me incapaz de controlar o esforço. E de repente dei por mim a nadar bruços. Ao menos assim sentia que podia ter algum controlo. Não fosse o facto do Wetsuit não ser confortável para a pernada de bruços (dificultando mesmo o movimento) e creio que iria nesse estilo até à praia. Voltei ao crawl, nadei mais uns metros (muitos? poucos? já não tinha noção) e voltei a sentir que precisava descansar. Nesse momento, a sentir-me incapaz de acompanhar o grupo, a palavra “desistir” passou várias vezes pela minha cabeça. Queria fazer mais mas não conseguia. Paciência. Mas nem que fosse a nadar à cão. Desistir é que não.

Cheguei à primeira boia e era enorme a confusão. Muitos que vinham da direita tinham errado a trajetória e agora tinham de se esforçar por contornar a boia pela esquerda. Mas com a quantidade de gente naquele espaço isso era complicado. Só se ouviam os apitos dos da organização a avisar aqueles que julgavam ser possível cortar caminho, contornando a boia pela direita. Se antes nadava bruços por estar cansado, ali era para conseguir sair da confusão. E fica o meu pedido de desculpas a dois ou três que terão levado com um dos meus pés algures no seu corpo. Acreditem, não foi por mal. Passada a confusão da primeira boia, vem o segundo problema: havia ali uma corrente muito forte que obrigaria a um esforço maior para conseguir contornar a segunda boia. Fixe.

Ultrapassada a segunda boia, “só” faltava chegar à praia. Também não sei como isto sucedeu, mas dei por mim bem isolado. A esmagadora maioria estava do meu lado esquerdo, afastada uns bons 20m ou mais. Ainda pensei que estivesse numa trajetória errada, mas não. Estava bem afastado dos restantes. E uma vez mais a nadar bruços. Essa sensação de isolamento mais a obrigação de recorrer ao estilo bruços por causa do cansaço, mais a incapacidade de nadar com um mínimo de técnica (não sei porquê), só servia para colocar o meu ânimo lá bem no fundo do mar. Só me apetecia gritar: “PÔRRA! QUAL É O TEU PROBLEMA? ENFIA A CABEÇA NA ÁGUA, BRAÇADA DIREITA, VIRA A CABEÇA, RESPIRA CALMAMENTE, ENFIA A CABEÇA NA ÁGUA E ACABA A BRAÇADA ESQUERDA. JÁ FIZESTE ISSO MILHARES E MILHARES DE VEZES!”. Enfim. Não estava nos meus dias para nadar.

Finalmente acabou aquele pesadelo e sem saber como estava a pisar a areia da praia. Agora a parte curiosa. Em Quarteira, onde eu achei que a prova me correu muito bem, onde nadei sempre a bom ritmo e com um esforço controlado, fiz 00:13:47. Ali em Oeiras, onde eu cheguei a pensar em desistir e onde nadei muito tempo em bruços, fiz … 00:14:20. Ou seja, apenas e somente mais 33 segundos? Não entendo. Não entendo mesmo.

A transição Natação / Ciclismo

Em Oeiras o PT fica junto à Marginal. E para lá chegar é ainda preciso percorrer um longo caminho, em particular, subir uma rampa bastante inclinada no acesso à praia. Cansado como eu estava, sem forças para ir a correr depressa, até chegar ao PT ainda terei perdido um tempo considerável. Uma referência ao João Rita que saiu da água ao mesmo tempo que eu e que na rampa de saída da praia gritou-me: “FORÇA!”, fazendo-me sair daquele espécie de ‘coma’ em que me encontrava. Chegado junto da bicicleta, tirei o Wetsuit razoavelmente depressa, mas atrapalhei-me a colocar o Garmin no pulso. Adiante. Mas fiz uma coisa que resultou bem e que irei repetir em próximas edições: ingerir um gel enquanto se empurra a bicicleta para fora do PT. É menos uma preocupação para quando se for a pedalar.

O Ciclismo

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Foto da Federação de Triatlo de Portugal (Parque de Transição em hora de ponta)

Finalmente ‘andei na roda’. Caramba. Com tantos ali a pedalarem desta vez teria de encontrar alguém para seguir na roda. É que faz toda a diferença em termos de esforço. Andei algum tempo junto de um grupo de 3 e depois vi que iria ultrapassar a Lénia. Ainda lhe gritei para seguir atrás de mim, que eu puxava. Depois voltei a colar-me a um grupo de 4. E já na parte final ainda consegui ir atrás d um grupo de 6. O trajeto era bom para fazer uma média elevada e eu consegui terminar com um ritmo médio de 31.6Km/h. Agora a parte curiosa. Em Quarteira, onde eu achei que poderia ter pedalado mais depressa, fiz os 20Km em 00:41:03 a uma média de 30.1Km/h. Em Oeiras, onde andei na roda e onde achei que tinha pedalado depressa, fiz os 19.3Km em … 00:41:14. Ou seja, 11 segundos mais lento? Não entendo. Não entendo mesmo.

A transição Ciclismo / Corrida

Antes, na prova aberta, estive a ver a chegada de muitos estreantes no triatlo. A verdade é que a maioria foi capaz de fazer aquela habilidade de, em andamento, passar uma perna por cima do selim e fazer o resto do caminho com o corpo de um dos lados da bicicleta, saindo logo a correr junto à linha de entrada no PT. Também é certo que alguns, por muito pouco é que não se mataram a fazer isso, já que foi por muito pouco que não se espalharam. Eu acho que vou manter sempre a minha técnica: tirar os pés dos sapatos em andamento e, junto à entrada do PT, parar, pousar um pé no chão, passar a perna por cima do selim e começar a empurrar a bicicleta.

A Corrida

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Como andei mais depressa no ciclismo, comecei a corrida com muito menos folga nas pulsações. Além disso estava também sem saber o que esperar da perna esquerda. Por isso, sempre que aumentava o ritmo, além das pulsações irem para uma zona indesejada, também equacionava se não era arriscar demasiado no esforço. Ali na segunda volta, fui em perseguição do adversário de azul (Ricardo Aguiar, do Cl. Ferroviário de Vendas Novas). Apanhei-o antes da descida para a praia de Oeiras e fui ao lado dele até próximo do final. Mas aí ele deu um sprint final e foi-se embora, chegando 12s à minha frente. Em Quarteira, senti folga e consegui correr a um ritmo médio de 4:43min/Km. Em Oeiras, sem folga e receoso da perna, fiz os 5Km a um ritmo médio de 4:52min/km. Não dava para fazer melhor.

Considerações finais

Tendo em conta que estiveram ali 677 atletas e se houvesse um apoiante por cada um, já seria uma enorme assistência. Mas foi isso que me pareceu ver na Marginal, na zona em frente ao PT e linha de chegada. Fui com a ideia de poder haver ali uma enorme assistência, com milhares de pessoas a gritarem por todos os que se esforçavam na Marginal. Enganei-me. Nem sei se em Quarteira não haveria mais gente a assistir. Gostei. É um triatlo numa zona lindíssima. Muito bom poder pedalar em alta velocidade ao longo daquela Marginal sem um único carro a atrapalhar. Nadei muito mal e terei de rever isso para as próximas provas. Para já vou descansar e ver se a perna esquerda fica em condições para poder aumentar a carga de treinos.

Classificação absoluta; Percursos

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8 respostas a XXV Triatlo do Ambiente, Oeiras – C. N. Clubes

  1. Joao rita diz:

    Nadas-te mal ??? qual quê, para retirares 1 ou 2′ tinhas q trabalhar muito mas mesmo muito.
    Na minha modesta opinião , e penso que tu não queres vencer uma prova de triatlo, deverás treinar é a resistencia, ou seja sair da água com os mesmos 14′, com a nitida impressão que iniciás-te á saida da agua o começo da prova, partimos “frescos” para a bici…..
    Bons treinos
    1 abraço
    http://www.estremoztriatlo.blogspot.pt/

    • João, concordo com o que dizes. Mas este cansaço não se justificava, sobretudo com a maioria dos treinos longos que tenho feito na piscina e com as melhorias que tenho visto a esse nível. O ideal era mesmo conseguir sair mais folgado para o ciclismo, e não, como tem sucedido, passar o ciclismo a abrandar para ganhar alguma folga para a corrida que ainda falta fazer.

  2. “Também é certo que alguns, por muito pouco é que não se mataram a fazer isso, já que foi por muito pouco que não se espalharam”: FUI EU!!! FUI EU!!!!!!!!! Fiz essa habilidade mas no momento em que ia a saltar para o chão, não é que o c@brão do pé esquerdo volta a encaixar no pedal?! Hahaha!!! Ser estreante tem destas coisas 🙂 Portaste-te muito bem amigo, só tive mesmo pena de não te encontrar. Fica para… Abrantes? 😉

    • 🙂 Foram muitos, acredita. E levar o pé solto em cima do sapato, também pode provocar outro problema, tal como vi acontecer a alguns. No momento em que sais, rodas o pé e isso faz o sapato cair. Ou seja, toca de voltar para trás para apanhar o sapato. Houve um que não quis saber dele e foi-se embora para a corrida 🙂
      A próxima, se conseguir preparar-me, será Vila Viçosa, 15 de Julho, a estreia na distância olímpica

  3. dcaldeirao@gmail.com diz:

    enquanto conseguires fazer melhores relatos do que triatlos, ainda tens um longo caminho para percorrer!!! 😉
    de tudo o que escreves…., três reparos, habilidades em cima da bike treina-se(mas à quanto tempo andas de bike???), treinos mais longos de natação!!! depois queres ter ritmo de sprinter…, mas quantas vezes fazes series de 25m, 12,5m ou saltos dos blocos???, por ultimo os tempos!?!?!? mas quantas vezes já te disse que em triatlo os tempos são um “pormenor”…, não te agarres tanto aos segundos, aos bpm’s e ao ritmo dos outros!!!
    grande dica, no triatlo pensa em ti, pensa em treinar, nas tuas sensações, na tua gestão do esforço, nas tuas forças e fraquesas…., vais ver que começas a sentir-te mais forte fisica e mentalmente, os tempos e os lugares da classificação certamente que começam a melhorar 🙂

    • 🙂 Eu posso não fazer triatlos longos, mas serei o bloguista do triatlo que publica os posts mais extensos. Mas eu nem quero ter ritmo de sprinter na natação. Ali foi mesmo descuido, entrei depressa demais e depois foi muito difícil encontrar o equilíbrio. Agora, quero apenas garantir que faço os 1500m em condições, sem complicações e sem ficar de rastos para o que vier a seguir. E concordo contigo no que dizes. Aliás, como sabes, as tuas observações são sempre muito importantes para mim. As tuas e todas as dadas por quem já anda há muitos anos no triatlo, com muito para ensinar a quem se inicia nisto. Há dias escrevi aqui um post sobre o ultramaratonista Micah True, que dava este conselho a todos os iniciantes na corrida:
      Run easy, light, smoooooth, happy … and run free! Ándale!
      Um conselho que tanto serve para a corrida como para o triatlo. Ando a pensar demasiado em pormenores e a esquecer o gozo que posso ter nisto se descontrair mais

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