20ª Prova de Mar Louletano

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Praia de Quarteira, a 5 de Agosto de 2012, lá estava eu para me estrear numa prova de natação no mar, numa distância de 1200m. Sim, o triatlo tem um segmento onde se pode fazer natação no mar, mas neste caso, era uma prova numa distância maior e onde não haveria necessidade de ir pedalar e correr a seguir, um facto que poderia levar a ter um ritmo mais elevado. Com início marcado para as 12:00, eu cheguei ao local das inscrições por volta das 11:00. Após 30 min de espera na fila, lá consegui finalmente que colocassem o número 91 nos meus ombros e nas costas. Depois disso foi ir em passo de corrida em direcção ao Sotavento para o local da partida, que se situava 3 praias à esquerda daquela onde me encontrava. O circuito consistia em nadar em frente até à primeira boia, virar à direita e nadar contra a corrente ao largo das praias seguintes, passando sempre do lado esquerdo das boias que víssemos à nossa frente.

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Cheguei ao local da partida e a primeira preocupação foi tentar perceber que raio de mar é que iria ter que enfrentar. Se podia estar liso, como se fosse uma piscina, ou como estava no dia do Triatlo de Quarteira? Podia, mas não era mesma coisa. Naquele dia havia ondulação. Numa dimensão suficiente para eu perceber logo à partida que iria ter muita luta. Depois de um pequeno aquecimento na praia, havia que entrar na água e dar umas braçadas para aquecer ou gelar os principais músculos que seriam usados dentro em breve. Se a água podia estar um caldinho, tipo como estava no Triatlo de Ayamonte? Claro que podia, mas também sabemos que não seria a mesma coisa. Além da ondulação, a água estava fria. Ó desgraça! Primeiras braçadas, primeiro pirolito. Fui até perto da primeira boia, voltei para a praia e fiquei a pensar: “Raios! São 1200m. Não me estou a imaginar capaz de fazer isto”. Ena! Só confiança.

Não era falta de treinos. Aliás, na piscina andava a fazer 1500 a rondar os 30 min, o que era um tempo bastante aceitável para o meu nível. Mas isso é na piscina, em condições controladas e com água domesticada. O meu problema é mesmo quando tenho de enfrentar águas indomáveis, águas agitadas que nos balançam e salpicos que atrapalham a respiração. Além da chatice de ter de ir olhando frequentemente em frente, para garantir que a rota é a correcta. É que ali não existem linhas azuis pintadas no fundo do mar, que nos indiquem que estamos a nadar em linha recta. Como é que isto se combate? Nadando cada vez mais no mar. E de cada vez ir aprendendo as manhas e os truques que nos façam aguentar uma prova sem parar de nadar, tal e qual como fazemos na piscina.

E quem estava ali na praia? Maioritariamente miúdos. Muita malta nova. Os dados oficiais indicam que estavam 115 nadadores naquela praia, sendo 81 nadadores e 34 nadadoras. Comprado com provas de atletismo, é uma excelente percentagem para a presença feminina. Foram 115 nadadores que tiveram de ser alinhados à babuja para se dar a partida. Ouviu-se a buzina e gerou-se o frenesim habitual na água, com os da frente a provocarem um manto de espuma branca. Eu? Eu lá fui. Nas calmas.

Nadei crawl até à primeira boia, mas depois disso, foi para esquecer. Cansaço, sem acertar o passo, sem acertar a respiração, a lutar contra a ondulação e a sentir o frio da água,. Só desgraças. Mesmo à minha frente estava um grupo de 3 nadadores e uma nadadora. Pela forma como interagiam calculei que fosse um grupo de amigos, onde a nadadora seria a que tinha mais dificuldades. Ela ora nadava crawl, ora nadava bruços, e eles iam sempre olhando para ela a ver se conseguia ir no ritmo deles, abrandando quando ela também abrandava. E eu mantive-me ali junto deles. Não dava para mais. Foram o meu Garmin ao longo da maior parte da prova.

Eu tinha uma touca branca, relativa à prova dos 1200. Depois haviam os toucas amarelas, da prova aberta, que iriam nadar 800m e que partiriam 10 min depois de nós. Estava eu a tentar chegar à última boia, quando várias toucas amarelas passam por mim. Zum. Que frustração. Parecia que estavam a nadar numa piscina. Mas era possível que a ondulação que me travava e atrapalhava, não lhes causasse qualquer incómodo?

Depois de uma grande luta com o mar, cheguei a terra. Caramba. Foi difícil. Dos 115 que se lançaram ao mar, foram 103 os que terminaram a prova de forma oficial. 10 foram desqualificados e 2 desistiram. Onde é que eu fiquei? Em 98º. Foi o que foi para aquilo que enfrentei e da forma que fiz, entre crawl e bruços. Foi mau? Longe disso. Foi uma experiência enriquecedora que deu para aprender bastante. Aprendi no triatlo de Oeiras que é fundamental controlar o ritmo para evitar ficar de rastos ainda antes de chegar à primeira boia. Nesta prova percebi gestos e técnicas que me poderão ajudar em provas futuras onde volte a enfrentar um mar agitado. Por mais que nade na piscina, o mar, um rio ou uma albufeira reservam sempre surpresas que não se conseguem treinar numa pista de água cristalina e temperatura agradável.

Terminei a prova, vi um triatleta do Louletano e tive este desabafo: “Caramba, com o mar assim, não sei como é que vocês depois ainda conseguem pedalar 90Km e correr mais 21Km”. Estava a lembrar-me do triatlo longo de VRSA, onde o mar também esteve agitado e era preciso nadar 1900m.

Em resumo, foi uma experiência que me poderá ajudar no futuro a conquistar objectivos mais ambiciosos. E no próximo Domingo volta a haver prova em Altura.

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