Lance “Doping” Armstrong, Parte 1

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Um balde água fria, um soco no estômago e tudo o mais que se possa dizer para simbolizar a enorme surpresa e desilusão pelo facto de ter sabido hoje que Lance Armstrong desistiu de se defender das acusações de dopping. Armstrong caiu aos pés da USADA (United States Anti-Doping Agency).

There comes a point in every man’s life when he has to say, ‘Enough is enough.’ For me, that time is now. (declaração completa no final deste artigo)

 

Aos 40 anos, depois de lutar contra o cancro e contra grandes adversários no ciclismo, Armstrong perde os sete títulos que venceu na Volta a França e fica banido de forma permanente da modalidade. É mau demais para ser verdade.

Armstrong não reconhece verdade nas acusações da USADA e continua a alegar que é inocente. Porém, se fosse a tribunal, segundo a USADA, teria que enfrentar o testemunho de pelo menos 10 ex-colegas, que confirmariam a sua utilização de dopping, e teria de derrubar os resultados de testes sanguíneos “totalmente consistentes” com amostras de dopagem.

Armstrong defende a sua decisão com os efeitos negativos que esta luta teve sobre a sua família e trabalho. Lamento, mas não acredito. Quem é inocente luta até ao fim com todas as suas forças. Quem conquistou os maiores títulos do ciclismo mundial, privando a família da sua companhia durante períodos intensos de treino e competição, não pode, anos mais tarde, utilizar a família como justificação para o abandono da defesa do seu bom nome e honra. Infelizmente Armstrong desistiu de ir a tribunal porque não teria hipótese de ganhar. É isso que custa reconhecer e admitir.

Com esta decisão, para a história, Lance Armstrong deixará de ser conhecido como o vencedor do Tour por 7 vezes consecutivas, para passar a ser mais um de muitos ciclistas que recorreram ao dopping e que perderam os títulos na secretaria. É uma pena.

Ele será sempre o ídolo e inspiração para muitos. Ele será sempre o Rei do Tour para muitos. Mas agora, também para muitos, ficará conhecido como o ciclista que não ganhou de forma limpa.

Going forward, I am going to devote myself to raising my five beautiful (and energetic) kids, fighting cancer, and attempting to be the fittest 40-year old on the planet

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11 respostas a Lance “Doping” Armstrong, Parte 1

  1. também fui ler a sua declaração de fio a pavio… como ele diz, o processo é todo estranho, do início ao fim… Os dez ex-companheiros que estão prontos a testemunhar, apresentam como argumento principal um “tomámos todos, ele também tomou”, mas alguns deles ainda competem, mesmo tendo assumido tudo.
    O ciclismo de alta-competição é um desporto duríssimo e muita gente diz que aqueles níveis de rendimento só se conseguem com batotice. Eu não sei de nada, não pratico, não conheço minimamente o meio. Os documentários que vi sobre o Armstrong, do género de um que a Castrol fez com o Ronaldo, apontavam para o corpo do ciclista ser fora de série. Os músculos assim, os ossos assado, o ritmo cardíaco baixíssimo…
    Claro que a verdade desportiva deve estar acima de tudo, mas também noutros casos é mais célere o apuramento da verdade. Se demoraram tanto tempo é porque as coisas não eram tão claras assim.
    A minha opinião é a de que devia ter continuado a sua defesa, mas só um homem sabe o que vai na cabeça de um homem…

    • Gustavo, é verdade, todo este processo é estranho e muita coisa faz lembrar uma caça às bruxas. A questão é que durante todos estes anos o Lance Armstrong sempre se defendeu das acusações e nada foi provado. Agora, ao desistir, apesar de nada ter sido provado em tribunal, ele perde tudo o que ganhou e será, para todos os efeitos, mais um ciclista que recorreu ao dopping.

  2. Moisés diz:

    Tudo tem um limite, se o juiz decidisse dar razão ao Armstrong como eu todas as outras vezes e foram muitas, voltariam a carga doutra maneira, assim pelo menos pode dormir descansado, pois nunca desistiriam de tentar provar algo que não o podem fazer.

    • Moisés, espero não me enganar no que vou dizer, mas creio que antes o Armstrong nunca tinha ido a tribunal resolver esta questão. E em tribunal ninguém pode ser acusado duas vezes pelo mesmo crime. Ou seja, se agora ganhasse ficaria definitivamente ilibado desta questão

      • Afonsix diz:

        sim mas podiam recorrer… e nesse jogo de recorrer ele no minimo ia andar em tribunais mais 10 anos!! Não émuito para um homem que jáse viu privado de grande parte da sua vida familiar durante mais de 10 anos??? eu compreendo-o e cada vez mais acho-o inocente!!!

  3. leopardo diz:

    Sim, ele correu dopado. Quem conhece o desporto de alta competição sabe quem numa modalidade de perfomance, ciclismo, atletismo, halterofilismo, etc, está tudo dopado. O efeito do doping é tal que quem não está não tem a menor hipótese de vencer.

    • Leopardo, mas então nesse caso será apenas uma questão de azar ou azelhice de esconder vestígios de quem for apanhado. E o Bradley Wiggins? Vamos esperar mais uns meses para ver se perde este título do Tour por causa de um controlo anti-dopping?

  4. Luis diz:

    Há um clube de lisboa que é conhecido por dar pó aos seus atletas! Ainda recentemente houve um episódio, em que um atleta se descontrolou e agrediu um arbitro!

  5. Anónimo diz:

    É simplemente RIDICULO. Colocar em causa resultados obtidos à pelo menos 7 anos cumprindo toda a legislação do momento, nunca faltando a nenhum controlo e sem qualquer resultado positivo ou dúbio. Controlos efectuados pelas mais variadas entidades a nivel internacional, dentro e fora de competição e na modalidade mais controlada do planeta. A culpa é de quem dá ouvidos a estes e aqueles que apenas procuram protagonismo e nunca o conseguiram doutra forma. Previnam o futuro, quem ganhou no passado ganhou. Vamos colocar em causa as vitórias de todos os nossos herois do passado só porque uns quantos energúmenos mal intencionados e invejosos se lembram de lançar umas atoardas?

  6. Pingback: Armstrong e o seu toque de Midas | Ma Ke Jeto, Mosso on Sports

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