Entre zonzarias, pressões, tontarias e almareações

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É incrivel, mas já vai um mês com esta merda e sem sinais de melhoria evidente. Fiz a 11 de Novembro as X Milhas do Guadiana, uma prova que me correu muito, excedendo todas as expectativas. Terminei-a cansado, mas nada de muito significativo. Na semana seguinte fiz natação, musculação, corrida e ciclismo. E foi depois de 5 dias de treinos seguidos que a coisa cá ficou, sem ar de querer ir embora. No final de cada treino, quando começava a acalmar, vinha a tal zonzaria na cabeça, como se estive oco ali dentro. Algo desconfortável e um sinal que algo não estaria bem. Na dúvida, ida ao médico que me acompanha há anos. Após medir a tensão, que estava em 140/90, ele achou que estaria na altura de mudar o comprimido da hipertensão para um de outra ‘família’. Estaria isto relacionado com a tensão arterial? Bem, não posso dizer que tenha ficado muito animado com isso.

Uma semana com o novo medicamento e nada de melhorar. Além da zonzaria, havia também episódios de pressão na cabeça, sempre na zona frontal, entre têmporas. Fiz uma corrida de 7Km que completei sem esforço. Mas depois disso e ao longo do dia, lá estava a zonzaria misturada com pressão. Nova semana e nova ida ao médico. Dessa vez, tal como relatei aqui, seria uma ‘cena’ nos ouvidos, tendo sido sugerida uma visita a um otorrino. Dois dias depois disso, nova corrida ao fim do dia, com 10Km a ritmo lento. A corrida lá se fez, mas depois disso … ui, ui. Dia seguinte passado com a tal pressão e alguma náusea.

Sem melhorias e mesmo a sentir-me pior, toca de ir à urgência. Pelo menos faria alguns exames. Cheguei à triagem e deu-me uma tontura enorme. Tanto que a senhora decidiu deitar-me numa maca. Isso, mais ansiedade, mais o facto de ver atribuída uma pulseira vermelha (sim, era vermelha mas estava virada para dentro, pois na parte de fora tinha pintado um traço amarelo que eu só vi depois), foi o suficiente para me colocar ali a pensar seriamente na vida ou naquilo que me restaria. Electrocardiograma, análises e RX Tórax não permitiram detectar qualquer anomalia que justificasse as queixas. Deram-me uma sulpirida de 200mg e receitaram-me mais comprimidos de sulpirida 50mg para tomar nos 5 dias seguintes. Fixe. Passei a andar movido a antipsicóticos.

Um pequeno parênteses sobre as urgências, esse local catita onde dá gosto ir. Há sempre um médico espanhol a atender (ou venezuelano ou similar), coisa que nos faz pensar se devemos falar com entoação para que nos perceba. “Hã!?”, “Hã!?” perdi a conta às vezes que ele disse aquilo e que eu tive de repetir os meus problemas e sintomas. Eu sei que não é um trabalho fácil e eu nem me imagino a fazer coisa semelhante, mas uma coisa é certa, regra geral, estes médicos são brutos c’mó c***** e não transpiram paciência. Mas nisto eu já aprendi que nunca se deve ter um comportamento hostil, e por isso, o melhor é engolir em seco e dizer muitas vezes “sim, Sr. Dr., concerteza”. Já na “sala 3”, onde vão parar os Amarelos e Laranjas para fazer as análises ou o tratamento prescrito pelo médico, não pude ficar calado perante um enfermeiro que me atacou com um “Chegue-se para trás!”. “Se faz favor!” disse eu de imediato, coisa que o terá feito cair na realidade do mundo que existe lá fora do hospital, levando-o a completar a frase com um “se faz favor”. É que o respeito ainda é coisa bonita. Depois foram várias horas de espera na “sala 0”, ou Sala do Desespero, a tal sala onde vão parar todos os que já fizeram análises ou exames e que esperam por resultados, assim como todos os acompanhantes com conversas do arco-da-velha. Puta que os pariu, que não sabem ficar calados. Além desses, juntam-se os que gemem com dores e soma-se a televisão que está sempre na TVI. Demasiada desgraça. Em resumo, fiquei a saber, na opinião do tal médico Hermano, que se isto continuasse, que seria de consultar um neurologista, pois poderia ser algo na cervical. Claro está que só tomei a tal sulpirida durante mais um dia.

Mais uma semana e veio a consulta com o otorrino. Na minha modesta opinião, isto teria de estar relacionado com o nariz. Contei-lhe a história tim-tim por tim-tim e, quando pensava que ele me iria dizer que isto seria coisa de sinusite, pumba! Caiu-me tudo ao chão. Não, na sua opinião, esta zonzaria seria consequência dos comprimidos para a tensão arterial, pois os mesmos comprimiam as artérias e isso provocava uma má oxigenação do cérebro. É pá! Pior, que devia tentar perder mais uns 4Kg e fazer exercício, no sentido de conseguir deixar de tomar os comprimidos para a hipertensão. Eu a ouvir aquilo e a dizer para comigo [Suspiro … tirem-me deste filme]. Fez-me uma limpeza dos ouvidos, onde saiu cera suficiente para fazer várias velas, sugeriu que fizesse uma ecografia às carótidas (que não devia acusar nada, mas que seria apenas para ter a certeza) e para voltar lá depois para fazer um exame para verificar se o ouvido interno estaria afectado. Foi … delirante. Coincidência ou não com a limpeza dos ouvidos, a verdade é que no dia seguinte senti grande melhoria nas queixas da cabeça zonza. Inconformado com este diagnóstico, toca de voltar ao médico do costume. Bem, por uma questão de cortesia, não vou dizer a sua opinião sobre o diagnóstico feito pelo otorrino, mas avanço que não foi muito positiva. Nessa consulta a tensão estava a 140/100, coisa que o fez achar que os novos comprimidos não estavam a resultar. Por esse motivo, voltei aos comprimidos anteriores, mas numa dosagem superior. Dois dias depois dessa consulta, por iniciativa própria, decidi tomar um anti-histamínico. Coincidência ou não, a verdade é que no dia seguinte sentia-me bem melhor da tal pressão na testa, entre têmporas. Quanto à tensão, estabilizou nos 135/85.

Outra semana e quase tudo na mesma. Ora pressão, ora tontura, ora zonzo. Aliás, de manhã, bastava subir uma escada para ficar completamente tonto. Perante isto e já em desespero, toca de ir ao médico do costume (sim, isto não tem sido bom para a carteira). Perante o que lhe contei, do anti-histamínico, das tonturas e dos valores da tensão, ele observou-me de novo e traçou-me um diagnóstico: rinossinusite. Eu bem que achava que isto devia estar relacionado com o nariz, mas quem sou, pobre doente, para saber mais que Eles. E assim saí de lá com receita para antibiótico, anti-inflamatório e anti-histamínicos. E ao fim dos 6 dias de tratamento previstos? Posso dizer que está quase tudo na mesma? Posso? Um pouco melhor, é certo, mas os episódios de tontaria e zonzaria continuam a massacrar-me o juízo e a tirar-me a vontade fazer seja o que for. Mas também continuo a sentir a tal ranhoca alérgica bem lá fundo do nariz, coisa que me faz acreditar que isto está aqui para durar.

Há momentos em que um gajo se sente uma merda e as últimas semanas têm sido esses momentos. Treinar? Impossível. Nos primeiros dias de 2013 já tenho previsto fazer todos os exames acumulados, incluindo electrocardiograma com prova de esforço e ecocardiograma. Pelo menos quero ter a certeza que a máquina está em condições e que tudo isto não passa mesmo uma “putaíte” que me está a levar ao desespero e à profunda desmotivação. Uma pessoa vai de carro e parece que só vê pessoas a correr “Caramba, mas porque é que eu não vou correr? AH! É verdade … já me esquecia … [suspiro]”. E tem sido assim, um final de 2012 em beleza. Mas como o gajo é um sonhador, ainda sem saber quando é que tudo volta ao normal, avançou também com a brilhante decisão de se inscrever na meia distância do Tri Iberman que vai haver a 11 de Maio. Ou seja, até lá terá que treinar o suficiente para conseguir, de seguida, nadar 1.8Km, pedalar 100Km e correr 21Km (com os 4Km finais ao longo da areia fofa da praia) … sim, foi uma excelente decisão. Afinal, o pior que pode acontecer é perder os 60€ da pré-inscrição (até Março de 2013 será preciso pagar os restantes 35€ para confirmar o lugar). Enfim.

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16 respostas a Entre zonzarias, pressões, tontarias e almareações

  1. Anónimo diz:

    Ó Luis!!! o que te posso dizer…, sabes o que eu acho que tens!!! nem vale a pena comntinuar a dizer-te à falta de melhor (ou pior) diagnóstico continuo a pensar o mesmo :/ deixa lá quando “morreres” podes sempre deixar na lapide: EU BEM QUE VOS AVISEI
    por favor 🙂 tu já viste o que consegues escrever e gastar apenas porque tens uma zumbideira…, corres todos os médicos, recebes diagnósticos em que não acreditas, tomas medicação por iniciativa própria, partilhas diagnósticos de médicos diferentes, vives ansiosamente o drama das urgências, enfim!!!
    há é verdade…, dizem que é nesta semana que se tem que fazer as inscrições mais baratas para o 1/2 IM de Ayamonte, é claro que isso tambem pode provocar quebras de tensão 😀 queres a minha opinião!? esse triatlo em outubro (para ti) fazia sentido…, em maio já não faz!!! aponta para setembro, vai haver um 1/2IM nacional, até lá vais TREINANDO, fazes um sprint, um olimpico, mais um sprint, mais um olimpico sem roda e chegas preparado a setembro!!!
    E LARGA A PORRA DOS COMPRIMIDOS (e dos médicos já agora…)!!! XISA 😉

    • dcaldeirao diz:

      david caldeirão

    • 😉 Agora é que me dizes isso, da inscrição? E eu próprio sei que tens razão. Em Outubro havia muito tempo para uma preparação cuidada. Em Maio, será complicado preparar tudo em 4 meses, já descontando imprevistos. Mas também é certo que podia esperar por Setembro e entretanto ter um azar de última hora, não poder lá e perder uma oportunidade de ainda fazer um meio Ironman com 44 anos. Até Março vai ser necessário pagar os restantes 35€ da inscrição. Se eu vir que há hipótese de poder ir à prova e concluí-la com o mínimo de condições, sem ser a andar ou a cambalear, ainda arrisco a pagar isso. Senão, perderei 60€ neste processo.
      E estou muito curioso com o Olímpico do Estoril, no final de Março. Em relação ao longo em Setembro, bem que podiam fazer no Algarve. Este 2013, a participação em provas vai estar muito, mas muito limitada pelo distância geográfica. Até duvido que consiga ir a Oeiras. Curioso para saber como te correu o Tróia-Sagres e Los Palacios. Abraço

  2. Anónimo diz:

    Se eu tivesse “aviado” essa receita hoje estava pior que tu.
    Agora não entres em pânico e deita essas drogas para o lixo
    1 abraço
    João Rita

  3. Anónimo diz:

    Seguidor silencioso só desejo que tudo corra pelo melhor. Enquanto fazia o Tróia Sagres pela primeira vez passou por mim o Louletano e pensei se o Makejeto iria ali. Já sei que não e fico com pena de não ver aqui as impressões e relatos. Mais uma vez, desejo melhoria total e continuação destas intervenções que aprecio.
    cbarata

    • Obrigado cbarata. Quem me dera ter ido 😦 Comecei a preparação muito em cima, mas já tinha feito um treino de 100Km e contava fazer outros se houvesse a certeza que iria. Mas ainda antes de me dar isto, já eu me deparava com outro problema complicado: a logística. Ter alguém que me fosse buscar a Sagres eu ainda arranjava, o problema era conseguir ir para Tróia na véspera. Não fui em 2012, mas fica com um dos objectivos para 2013

  4. CalimeroVerde diz:

    E que grande testamento (e não, não estou a sugerir que te vás finar)! Estava a estranhar tanta silêncio. Isto é realmente algo que preferia não tivesses de ter escrito. Olha, se notas falta de evolução talvez precises de uma outra segunda (ou terceira) opinião se calhar fora da região já que pagar por pagar é o que tens feito. As melhoras e já agora um Bom Natal e etc etc.

    • Obrigado Calimero. Isto têm sido semanas sem paciência para nada. À noite até se dorme bem, mas depois, basta levantar para vir mais um dia passado entre tonturas e zonzarias. Nem permite uma normal rotina diárias, quanto mais pensar em fazer seja o que for de exercício. Não ponho de parte outras opiniões, mas entretanto, pormenor que não referi no texto, tenho mesmo que esperar por 2013. É que tendo um seguro de saúde, este ano, à custa das ortopedias e fisioterapias, consegui esgotar o plafond de ambulatório. Isso quer dizer que até ao final do ano, qualquer consulta ou exame é pago e bem pago. Estamos a 17, por isso, há que aguentar mais uns dias para fazer todos os exames que estão em fila de espera. Quando fumava, comia que nem um doido e passava o tempo no sofá, não tinha destas coisas nem esgotava o plafond 😀 [pronto, foi um desabafo]

      • CalimeroVerde diz:

        Fazes bem desabafar porque estando a gente quase totalmente dependente de outros é preciso muita paciência e calma e pouco podemos por vezes mais fazer. Sobretudo nesta fase complicada corre-corre especialidades em que se procura a origem do problema. Muito tempo (e dinheiro) gasto até que eles se entendam. É a triste realidade médica, por isso força, há que aguentar e esperança para 2013 (se o fim do mundo não vier dia 21 está claro!).

  5. Rute diz:

    Que saga médica… Acho que o pior de tudo ainda é quando se está nesta indecisão de “será isto, será aquilo”…
    As melhoras e um 2013 de volta à acção.

    • Rute, esse é que é mesmo o grande problema. Comecei por fazer uma coisa por supostamente isto estar relacionado com a tensão alta. Mas ao fim de 3 semanas lá se chegou à conclusão (a ver vamos) que será a tal rinossinusite. A verdade é que o tratamento já foi feito e, melhoras, poucas. E andamos nisto. E como custa ter vontade de treinar e não poder ir

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