A falta de educação e o egoísmo desportivo

casca banana2

Hoje, ao ler vários relatos da 23ª Meia Maratona de Lisboa, deparei-me com dois relatos que demonstram a falta de educação e o egoísmo que existe em vários desportistas. Se são muitos ou poucos, não sei, mas que alguns sofrem disso, sofrem. O João Lima referiu «as centenas de cascas de banana que, uma vez mais, estavam espalhadas no meio da estrada a seguir ao reabastecimento onde as davam» e a Lénia teve mais azar e disse que «pisei uma garrafa de água cheia e fechada e aí sim torci bem o pé direito. Tive de parar e caminhar lentamente com algumas dores, enquanto amaldiçoava as pessoas que deitam as garrafas para o meio do percurso, quando eu sempre tive o cuidado, em qualquer corrida,  de atirar as garrafas para fora da estrada. Pensei mesmo que a minha corrida tinha acabado ali mesmo».

Ingenuamente, não podemos pensar que aos que falta educação, diria mesmo, bom senso, ou que apenas olham para o seu umbigo, possam transformar-se em pessoas melhores só porque calçam umas sapatilhas e saem para correr. O mais certo é que continuem a praticar o mesmo tipo de atitudes lamentáveis no meio do pelotão ou no meio da natureza. Quantos é que abandonaram garrafas e embalagens de gel na edição da ultra-maratona Melides Tróia de 2012? Bolas, se até na praia, com caixotes do lixo a 50m, a preguiça será a causa mais provável para que se deixe lixo, e sobretudo beatas, no areal, como esperar que as coisas mudem quando se está a transpirar no meio de uma prova? É lamentável, mas é a sociedade que temos.

Quando a Lénia ou o João Lima passam nos postos de abastecimento e têm de andar a desviar-se de centenas de cascas de banana ou de garrafas de água espalhadas pelo chão, é porque aqueles corredores mais rápidos, aqueles que andam nisto das corridas há muitos anos e treinam bastante para estes eventos, aqueles que maior consideração e respeito desportivo deveriam ter pelos restantes, foram capazes de ter uma atitude de enorme falta de educação e egoísmo: “Eu já bebi, eu já comi e agora deito isto para o chão, pois quem vier a trás que se desvie”. Chegar ao fim e ficar orgulhoso do tempo que se fez, mas ignorando este tipo de atitudes que se teve pelo caminho, não é sinónimo de grande corredor.

Mas será que custa muito depositar a garrafa ou o copo de plástico, a casca de banana ou a embalagem de gel na berma da estrada? Tentar fazer com estes resíduos não causem lesões em que vem a correr atrás? É preguiça? Vão assim tão concentrados na sua corrida que não pensam em mais nada? Atenção, é depositar na berma e não, como vi um tipo fazer à minha frente, também numa meia-maratona de Lisboa, que se lembrou de atirar a garrafa de plástico para a linha do comboio, como se depois a organização da prova fosse ali apanhá-la. Eu já corri várias vezes com uma garrafa vazia na mão, para a poder depositar junto do posto seguinte de abastecimento. Eu até digo “Obrigado” sempre que me dão uma garrafa de água. Eu não posso esperar que os outros sejam iguais a mim, mas gostava que houvesse mais educação, bom-senso e solidariedade em vários que andam por aí nas corridas.

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4 respostas a A falta de educação e o egoísmo desportivo

  1. João Lima diz:

    Ninguém pode mostrar aquilo que nunca recebeu!

    É a triste conclusão que somos forçados a chegar.

    Um abraço

    • Jose Henrique Martins diz:

      Temos de lhes martelar a cabeça com comentários e fotos para que estes modifiquem e outros não apareçam.
      Saudações desportivas

  2. Goes diz:

    A falta de civismo e de respeito é transversal a toda a sociedade sejam desportistas ou não!!
    mas tambem culpo as organizações no dia que começarem a penalizar quem suja e pode causar lesões aos outros atletas vais ver como mudam as coisas..O raid-melides troia estes ano chocou-me imenso pela qtd de objectos e lixo que fica nas praias..A autoridade maritima devia proibir a prova como reacção a esta vergonha!!

  3. SlowRunner diz:

    Por essas e por outras é que, qualquer dia, esse problema tuga é resolvido à maneira tuga: não há bananas para ninguém!

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