A nobre arte de fazer malabarismos na bicicleta

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Esta foto, além de mostrar o verdadeiro trabalho de equipa, é também um exemplo dos malabarismos que muitos ciclistas são capazes de executar em cima de uma bicicleta. Empurrar um ciclista ao nosso lado com uma mão poderá ser coisa simples. Já o regar a horta em andamento só mesmo para os mais audazes, pois qualquer imprevisto poderá causar um desastre com consequências disfuncionais.

Na estrada há todo o tipo de condutores. Dos mais descontraídos, aos mais tensos. Dos que conduzem com os joelhos para que as mãos possam estar a fazer outras tarefas complexas, aos que vão com as duas mãos a agarrar o volante com uma força desgraçada e a cara quase colada ao vidro. Eu não pedalo com as mãos cravadas no guiador como se o quisesse entortar, ou sigo incapaz de desviar a atenção do que está à frente na estrada. A prova é que consigo beber água em andamento, calço e descalço os sapatos nas provas de triatlo, e vou apreciando a paisagem e conversando com os do lado quando isso é possível. Porém, isso não quer dizer que eu esteja completamente à vontade em cima da bicicleta, ou que arrisque fazer um malabarismo. Nem pensar.

Nunca fui capaz de pedalar sem as duas mãos no guiador. Até me arrepio quando vejo quem faça isso em descidas, aproveitando as mãos livres para comer uma banana. O pressentimento que tenho é que, ao tirar as duas mãos guiador, este vai virar repentinamente para um dos lados, provocando a “Mãe de todos os trambolhões”. Mas se o guiador dos outros não vira assim, porque raio iria o meu virar? Não sei, mas tenho a certeza que isso ia acontecer. O guiador tem de estar sempre a ser agarrado com uma mão. Inegociável.

E mesmo a agarrar o guiador só com uma mão, não se pense que transpiro equilíbrio e tranquilidade. Quando combinamos treinos e encontramos outros pelo caminho, uma das coisas que me deixa logo sem saber o que fazer é quando alguém me estende uma mão para cumprimentar. Primeiro pensamento? Vou desiquilibrar-me e cair. É só confiança!

Olhar para trás a ver se vem alguém? Outra coisa que não consigo evito fazer. Fiz este Sábado e acabei no chão. Comecei a pedalar uma bicicleta de estrada há cerca de 15 meses. Desde então já caí 3 vezes. A primeira vez foi por causa dos pedais de encaixe. Da segunda vez, eu tentei dizer a quem seguia à minha frente para ter cuidado com a falta de berma e a parte em areia à direita. Mal fiz o aviso, a ciclista em causa parece que percebeu tudo ao contrário, fazendo questão de enfiar a roda na areia. Ela caiu, eu não me consegui desviar, travei, mas não evitei a queda. E a terceira vez foi este Sábado. Depois de um arranque onde andei a ritmo mais elevado, olhei para trás para tentar ver onde vinham os companheiros do treino. Quando olho para a frente, vejo que me tinha desviado da rota e estava perigosamente encostado a um muro, com a agravante de ter um poste à frente. Tento desviar-me rapidamente, perco o equilíbrio e … CATRAPUM! Nada de especial. Rasguei um bocado da luva direita e o sapato direito ficou um bocado pintado da cor do muro. Nada de feridas ou coisas complicadas. Nem sequer houve dano na bicicleta. Felizmente que, uma vez mais, apenas houve orgulho ferido, já que todos os clientes de um café ali perto fizeram questão de vir à porta apreciar o espectáculo. Levantei-me, montei, segui caminho e gritei-lhes: “Tá tudo bêm! Tudo bêm!”. Já agora também refiro que a primeira queda foi a que sucedeu a menor velocidade – quase parado – mas foi aquela que causou mais dor, sobretudo porque bati com o cotovelo e a anca no chão.

Malabarismos a pedalar é uma cena que não me assiste.

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3 respostas a A nobre arte de fazer malabarismos na bicicleta

  1. paulofski diz:

    Aqui, que ninguém nos ouve, conto este que ainda não contei a ninguém. Há coisa de quinze dias dei o enésimo trambolhão, talvez o mais estúpido de todos, e tudo porque me acho habilidoso na arte de fotografar e pedalar, coisa que faço teimosamente sem medir os riscos. Na companhia de amigos da pedalada, biclas e pôr-do-sol combinavam para uma foto perfeita e, vai daí, resolvi tirar o boneco. Ao descrever a curva, apontei o telemóvel à Titan do Miguel mas, sem dar conta, desviei-me da rota e tive um encontro imediato da roda da bicla com uma boca de incêndio. Fuças no chão e o ego esmurrado, e um par de óculos para o lixo. Depois de uma consulta in-loco com os paramédicos do INEM, lá fui na Alteza meio empenada e chateado por nem sequer ter conseguido tirar a foto, deglutir umas sardinhas assadas para o Senhor de Matosinhos. Lição aprendida? Nããã… Nisso, sou péssimo aluno. Já voltei a manusear a objectiva a pedalar, sempre com um olho na burra e outro no… telemóvel, que não foi comprado ao cigano!

    • 😀 Eu por vezes também levo uma máquina fotográfica na pequena bolsa dos gel e barras energéticas. Mas usá-la, só mesmo para as fotos de grupo nas paragens para o café. Em andamento? Eu bem gostava, mas está fora de questão

  2. Nelson diz:

    Também nunca fui um malabarista em cima da bicicleta, mas agora que tenho passado mais horas em cima “delas”, tenho vindo a descobrir alguns truques!
    Em quase todos os desportos, o nosso corpo faz por seguir a cabeça, desde o surf à ginástica, snowboard ou natação, e também no ciclismo. Por isso quando olhamos para trás o corpo acompanha a cabeça e sem querermos alteramos a trajectória!!! O melhor é olhar sempre para frente, mas se tiveres que olhar para trás, experimenta apoiar o queixo na clavícula, rodando apenas o pescoço e não o tronco, assim a oscilação será mínima. Por exemplo, um jockey de corridas de cavalos para olhar para trás, nunca olha por cima do ombro, espreita por debaixo do braço, os sprinters também fazem isso.
    Por último, na imagem que ilustra o post, digo que mais que uma dificuldade técnica é uma dificuldade fisiológica : )
    Abraço

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