I Triatlón Isla Canela

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Mais um triatlo Sprint no curriculum, o quinto desta curta carreira desportiva, e a primeira competição após o Iberman. Uma manhã quente, mesmo assim menos que o ano passado, com algum vento, mar a parecer uma piscina mas com água fria. Não fui para lá cansado, mas também não fui a sentir-me fresco. Foi sobretudo uma prova que encarei com total descontração. Um tipo faz um triatlo longo e estas provas picolino, onde se anda sempre com o coração na boca, parecem ser coisa que já não desperta grande emoção. Será isso? O que sei é que, apesar de sentir que estava a andar bem na prova, apenas consegui reduzir 40’’ no tempo do ano anterior. Com mais um ano de treinos pelo meio, pensei que pudesse reduzir muito mais. Só tenho pena que na edição de 2012 não tivesse havido controlo do tempo por segmento, pois gostaria de perceber se teria existido diferenças nos segmentos. O ano passado nadei sem Wetsuit, este ano nadei com Wetsuit. O ano passado pedalei sempre sozinho, este ano consegui ir atrás de um grupo. E somando os tempos parciais, vejo que gastei 10’ nas transições (What?). Em resumo, terminei a prova com 01:12:06, com os seguintes parciais:

  Natação Ciclismo Corrida Final
2013 0:14:22 0:37:10 0:20:34 01:12:06
2012 01:12:46

Natação

O mar parecia uma piscina, sem qualquer ondulação. O senão é que a água estava a 16ºC, bem diferente do caldinho que apanhámos no ano anterior onde nos impediram de nadar com o Wetsuit. Desta vez o uso do Wetsuit era opcional e, quem o tinha, não hesitou usá-lo. Pior estiveram muitos que se estrearam nesta prova, apenas com um Trisuit para entrar na água.

O percurso seria mais ou menos isto: nadar 125m em frente até à primeira boia, virar à esquerda, nadar 500m ao longo praia, virar novamente à esquerda e nadar na diagonal até à praia. O senão é que estava tudo a ser agrupado num espaço que considerei estreito para a quantidade de gente que ali estava. E 125m até à primeira boia é uma distância curta para fazer alguma separação no pelotão antes da viragem, sendo assim de prever que fosse haver grande molhada e confusão. A contar com isso, fui o mais possível para o lado direito da saída, de forma a que ficasse do lado exterior do pelotão.

[Buzina] E lá vamos nós! Os primeiros mergulharam de imediato e não repararam que ainda havia pé ao longo de uns bons 30m. Eu não mergulhei, continuei a andar enquanto tive bom andamento e à custa disso ultrapassei vários. E nessa caminhada triunfal, aproveitei para me deslocar o mais possível para o lado exterior para garantir que teria espaço livre à minha frente para poder nadar à vontade. À custa disso posso dizer que terá sido prova Sprint onde apanhei menos confusão na natação, conseguindo fazer a primeira viragem sem qualquer encontrão.

Foto tirada do blog da Lénia

A partir daí é sempre a tentar manter o melhor ritmo e a evitar o pensamento que costumo ter neste segmento destas provas: “Fosga-se, estou desejoso que esta merda acabe!”. Verdade. Sempre desejoso de chegar a terra. O registo da organização da prova diz que terei nadado com uma média de 1’55’’ a cada 100m. Ora, basta ir ver os meus registos dos treinos para verificar que as minhas séries têm sido para 1’55’’ com saída a cada 2’15’’. Conclusão? Se quero melhorar na natação para este tipo de provas, é melhor começar a pensar em fazer séries mais rápidas e mais repetições. Senão, não passo disto. Veja-se o histórico: 00:13:47 para Quarteira 2012; 00:14:20 para Oeiras 2012; 00:14:14 para Quarteira 2013; 00:14:22 para Ayamonte 2013. Uma regularidade bestial, mas pouca ou nenhuma evolução. Apesar de tudo terminei este segmento na 54ª posição, acima do meio da tabela.

A transição Natação / Ciclismo

Sempre muito ofegante quando termino a natação, lá me fui arrastando pela praia até ao PT. Tirar o fato, óculos, capacete, por o Garmin, pegar na bicicleta e começar a correr com ela, beber um gel em andamento, montar na bicicleta, calçar os sapatos em andamento e seguir. Sinceramente, acho que fiz uma transição bastante rápida. Daí ser uma surpresa o tal valor de 10’ que terei gasto nas 2 transições.

Ciclismo

Infelizmente não consegui acompanhar os 3 que saíram logo à minha frente, nem sequer o Luis Viegas, dos Leões do Sul, que passou por mim a grande velocidade. Eu bem tentava pedalar mais forte, mas notava que era demasiado esforço e que pagaria caro por isso. Assim, com frustração, dei por mim a pedalar sempre em perseguição de um grupo que estava à minha frente, mas incapaz de encurtar a distância que nos separava. Enquanto seguia assim sozinho, também consegui fazer uma proeza fantástica: entrei em contra-mão numa rotunda, fazendo-a pelo lado mais interior. Não sei como fiz aquilo mas felizmente que não vinha nenhum grupo a pedalar em sentido contrário, senão, ainda tinha provocado um acidente brutal. Bruto sou eu, que entrei por onde não devia.

Erros à parte, lá fui sozinho durante os primeiros 7Km, altura em que sou alcançado por mais 3 ciclistas. Mas desta vez forcei o andamento e já não os larguei até chegar ao PT. E felizmente que consegui seguir nesse grupo, já que cada volta de regresso tinha vento contra que dificultava o andamento. Assim, atrás de alguém a puxar, deu para seguir com boa média. Em algumas rotundas com curvas mais apertadas perdia sempre o contacto com o da frente, mas nada que não se resolvesse com um pequeno sprint.

Mesmo assim, apesar de ir a reboque, tive sempre a sensação de cansaço nas pernas. Ou seja, se aquele grupo apertasse um pouco mais o andamento, o mais certo seria ficar para trás. A questão é esta: tenho feito treinos longos, tenho feito sobe e desce para fortalecer, mas não tenho feito treinos específicos de velocidade no ciclismo. E para andar a médias superiores a 35Km/h em apenas 20Km é preciso treinar especificamente para isso. Fica a nota para não me esquecer de fazer isso nos treinos de preparação para os futuros Sprint.

E da 54ª tempo na natação, acabei por fazer o 71º tempo no final do ciclismo. Foram 37:10 para 20Km em terreno totalmente plano? Parece assim evidente onde tenho que melhorar.

A transição Ciclismo / Corrida

Novamente uma transição sem espinhas. Cheguei, estacionei, tirei o capacete, calcei os ténis e Weeeeeee!

Corrida

Entrei na corrida com a previsão que o andamento não seria o mais forte possível por causa do cansaço que tinha sentido nas pernas no ciclismo. Mas nada melhor que comparar valores, neste caso, com aquilo que fiz no triatlo de Quarteira

Km Quarteira Ayamonte
1 4:31 4:37
2 4:35 4:43
3 4:32 4:50
4 4:34 4:46
5 4:41 4:28

A diferença foi esta: Quarteira terminei com média de 4:36min/Km e em Ayamonte terminei com média de 4:43min/Km. Comecei de forma razoável, mas fui perdendo velocidade até ao 3Km, conseguindo no entanto melhorar nos últimos 2 quilómetros. A diferença parece pequena, mas nestas provas de Sprint, uns segundos a menos podem permitir subir algumas posições na tabela. Aliás, não que isso interesse para o meu caso, mas o Fabinho, do Louletano, falhou um 3º lugar no seu escalão por apenas 17’’.

Nesta corrida pode-se destacar duas situações. Como são sempre 2 voltas, dá para cruzar algumas vezes com amigos de outras equipas. E quando isso sucede eu vou sempre incentivando. Ou chamo pelo nome, ou grito um incentivo, ou faço apenas um sinal de Ok quando o fôlego já é curto. Vinha eu a tentar manter o ritmo quando vejo o Deni e a Lénia em sentido contrário. Para manter o hábito, o que faço? Grito: “DENI!”. Caraças! Eu faço isso, o Deni olha, tropeça, e estatela-se ao comprido no chão. Foi um momento “Oops!”.

Por fim, estava eu no último quilómetro e ia ultrapassar um que seguia à minha frente com uma camisola amarela. Pela sua velocidade até pensei que ainda lhe faltava mais uma volta. Estou eu a ultrapassá-lo quando chegamos junto ao ponto de viragem para mais uma volta. Ora, qual é o meu espanto quando o vejo a seguir em frente e me apercebo que ele também seguia para a meta. Para aumentar o interesse, uns amigos começam a incentivá-lo e eu vejo que ele aumentou a passada para me tentar ultrapassar. É lá! Temos Fiesta! Eu acelerei, ele continuava a aproximar-se, eu acelerei o mais que pude, o público gritava e era a loucura total. Os espanhóis conseguem dar grande emoção e incentivo nestes momentos. Corri até achar que já ia todo desconjuntado (a sério, adorava ver uma filmagem disto), mantive a posição, cortei a meta e cumprimentei-o quando chegou. Tudo isto, em câmara lenta, com som dos Vangelis, e tínhamos uma cena de filme.

Agora é tempo de pensar no próximo triatlo Sprint que é já este Domingo, em Oeiras.

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3 respostas a I Triatlón Isla Canela

  1. Ela diz:

    Parabéns por mais uma prova concluída! e pela melhoria nos tempos.
    A superação em relação aos nosso tempos tornam-se sempre num grande incentivo para continuarmos a treinar 🙂

    Bons treinos, um até já.

  2. Lénia diz:

    Ai, Luís, é sempre com enorme prazer que leio os teus testemunhos das provas! 🙂 Fazes-me sempre sorrir. E na parte do Deni, fizeste-me rir!!! Pois é, também eu com tanto treino, pensei que pelo menos na bike estaria a pedalar melhor, mas não. No resultado final ainda fiz mais quase 2′ que no ano passado. Está bem, que estava um bocado choca, mas tive a ajuda da roda do Deni, o que me valeu muito.

    Bem, depois de Oeiras, provavelmente a minha época termina aqui com algumas lições que espero me ajudem a evoluir para a próxima época.

    Vemo-nos em Oeiras. Bjo

  3. Pedro Ribeiro diz:

    Muito bem !!!
    estou a começar agora nestas lides e já entendi perfeitamente o conceito de ” ir a roda ” há três semanas em Sevilha apanhei um bom grupo e fiz media de 36,6km/h, fiquei todo contente, em Ayamonte os 20km sempre sozinho, 31,5km/h de media e o dobro de cansaço depois paguei a fatura na corrida.

    bons treinos.

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