Triatlo de Oeiras – CN Clubes – 2013

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Foi este o cenário à partida para mais uma edição do triatlo de Oeiras. Tempo fresco, nuvens e uma chuva molha tolos que se manteve durante o segmento da natação. Foi a minha segunda presença neste triatlo, um dos três que costumam preencher a minha época de triatlos na distância Sprint (Quarteira, Ayamonte e Oeiras). Uma prova que faz justiça ao termo Sprint, ideal para se conseguir atingir as melhores marcas.

Num ano de crise, onde todas as deslocações são ponderadas até à exaustão, não resisti a estar presente neste evento. Era um fim-de-semana prolongado, que se aproveitou para uma estadia em Lisboa. Umas nano-mini-micro-férias junto da família que me tem apoiado de forma fantástica nestas minhas aventuras desportivas, onde os meus treinos têm por vezes roubado muito tempo para estar junto deles.

Foi uma prova muito boa onde me senti bem do princípio ao fim. Uma prova que enfrentei bastante descontraído, talvez resultado da experiência que vou tendo nestas andanças, talvez resultado do tal “efeito Iberman”, que me possa fazer olhar para os Sprint como se fossem treinos em ritmo elevado. Em relação a 2012 o resultado foi este:

Natação Ciclismo Corrida FINAL
  Pos Tempo Pos Tempo Pos Tempo Pos Tempo
2012
261
00:14:20
319
00:41:14
306
00:24:31
308
01:20:06
2013 174 00:16:05 182 00:36:14 216 00:23:22 184 01:15:42

Em termos globais, melhorei 00:04:24 face a 2012. Fiz uma natação bastante pior, um ciclismo muito, mas muito melhor e uma corrida melhor. Completamente satisfeito. Bem, na natação continua o tal problema de não atingir melhores resultados que em edições anteriores, e desta vez, além de não melhorar, ainda consegui piorar. Seja como for, consegui o meu melhor resultado em provas Sprint do campeonato nacional. Em relação aos escalões, fiquei em 16º dos “V2”, entre 32 que terminaram.

Antes da prova

Esta é uma prova que tem dois períodos de abertura do Parque de Transição (PT), entre as 7:30 e as 9:00, e entre as 10:00 e as 10:30. Eu que gosto sempre de fazer tudo com calma, quando aqui vou, nunca falho a hipótese de colocar as coisas no PT durante o primeiro período pois isso permite-me estar ali descansado a poder apreciar a prova aberta e a meter conversa com amigos que só vemos nestas ocasiões. Na véspera, apesar de me ter deitado tarde e de ter feito a viagem para Lisboa, mantive-me fiel a esta decisão e, apesar de ter custado bastante, lá me levantei às 6:00 para me despachar, tomar o pequeno-almoço no hotel com calma (que rico manjar) e seguir para a prova para entrar no PT na primeira abertura.

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Ao entrar no PT e após percorrer aquilo até ao fim, lá consegui descobrir a placa a dizer “Leões de Olhão”. Bem no final de tudo e sem hipótese de erro – ao se poder andar perdido à procura do local de estacionamento da bicicleta – ali estava o espaço de arrumação dos 2 atletas do NSLO Triatlo. Arrumei as coisas, saí dali e fiquei com a sensação que só eu e mais uns 10 manjericos é que tivemos coragem para estar ali tão cedo.

E pronto, era tempo de descontrair ao máximo, tirar fotos, ver o material desportivo para venda, e ir conhecendo pessoalmente aqueles que só conhecia de forma virtual (muito gosto em conhecer o José Guimarães, o Antônio Nascimento e a Filomena).

Se tinha ficado com dúvidas sobre se valia a pena chegar tão cedo, perdi-as quando vi a fila para entrar no segundo período de abertura do PT. Descia, dava uma curva, subia e lá continuava em direcção a Carcavelos. É que a Prova Aberta estava atrasada, ainda havia malta a competir e o PT tinha de estar fechado. Ou seja, em vez de abrir às 10:00, só terá sido aberto pelas 10:25. Além da ansiedade que isso causa em quem espera e desespera para arrumar as coisas, soma-se a questão de praticamente não sobrar tempo para fazer o aquecimento no mar. Houve vários que apenas tiveram tempo de vestir o fato, ir a correr para a praia e sair logo com a buzina da partida.

Natação

Pela primeira foto dá para ver que a agitação do mar era desprezível e que não teria influência no desempenho. A água estava fria, a 15ºC. Quando assim é, custa sempre habituar o corpo à temperatura e a controlar a respiração. Mas para isso é que convém chegar cedo, para se poder ter uns 15min para fazer o aquecimento. E se houver mijinha para fazer, é guardá-la para esse momento. Pelo menos a cintura e as pernas aquecem rapidamente dentro do Wetsuit.

Nadei para aquecer o suficiente e para desembaciar os óculos. Vim para a praia e continuei a fazer exercícios de aquecimento enquanto foi possível. Nesta prova, as mulheres partem do lado esquerdo, ao lado ficam os veteranos (a malta de touca vermelha, onde estou incluído no escalão V2), e assim sucessivamente ao longo da praia até ao escalão mais jovem. Isso quer dizer que ali não há hipótese de descobrir o melhor lugar da largada. 

[Buzina] E lá vamos nós! A praia da Torre, em Oeiras, não é das que afundam logo ao entrar na água, por isso, durante uns bons metros fica sempre a dúvida se vale a pena começar a nadar ou se o melhor é ir caminhando o mais possível até perder a aderência. Eu, sempre que posso, caminho o mais possível antes de me atirar de cabeça. Comecei a nadar e parecia obcecado com este pensamento: “Controla o ritmo! Não te desgraces!”. O ano passado tinha entrado à maluca, em grande ritmo, e ainda nem estaria a meio caminho da primeira boia quando me senti sem forças e apenas a conseguir nadar bruços para recuperar o fôlego. Desta vez senti que o ritmo estava controlado, que até estava a ganhar lugares e que a manter assim, chegaria sem problemas à praia.

Uma curiosidade. Como já disse, nesta prova eu parto mais do lado esquerdo da praia. À minha esquerda ficam as mulheres (39 à partida nesta prova). Na minha zona, entre V1 e V5, estariam 103 à partida. Logo, entre 301 que estavam naquela praia, isso queria dizer que nas zonas à minha direita estariam 198. Em prova eu só respiro para a esquerda – sei que não é o melhor a fazer, mas é como me sinto mais confortável. – e durante esse processo eu estaria a ver a agitação provocada por uns, vá lá, 50 nadadores que estariam à minha esquerda. Aquilo que fica à minha direita é sempre uma enorme incógnita. Por isso, quando chego à primeira boia e a tenho de contornar, o meu receio é a confusão que possa vir a apanhar pelos tais 250 que devem estar daquele lado e que também querem contornar a boia.

Não sei como isto sucedeu, mas desta vez, para grande surpresa, contornei a boia sem qualquer confusão, como se a tal manifestação à minha direita tivesse sido sugada para parte incerta. Era nesta altura que eu adorava poder ver uma filmagem aérea da minha natação, para tentar perceber aquilo que se passa à minha volta quando eu apenas estou concentrado em respirar, manter o ritmo e não perder a técnica.

E se não tinha apanhado confusão até à primeira boia, da segunda boia até à praia mais parecia que estava a nadar sozinho numa pista da piscina. Ainda bem. Segmento terminado, lá me arrastei ao longo dado areal, lá subi a andar a rampa de saída da praia e finalmente lá percorri os cerca de 200m até ao PT. Naquele momento, sabendo que tinha feito uma natação sem qualquer paragem e num ritmo bom – ao contrário do ano anterior onde parei algumas vezes e nadei bruços durante alguns bocados – tinha a sensação que teria feito melhor. Qual não é o meu espanto quando descubro que tinha feito um tempo pior, em ‘1’45’’. Explicação? Não sei. Corrente forte que me obrigou a um zig-zag que fez aumentar em 150m a distância percorrida? Mas não fui só eu. Pelo que me disseram «a natação de Oeiras foi mais lenta para todos, mais ou menos 1:30 a 2:00minutos».

A transição Natação / Ciclismo

Entrei no PT e estava ao lado do João Antunes, o meu colega do NSLO Triatlo, confirmando-se assim que andamos a fazer tempos próximos no segmento da natação. Tirar o Wetsuit é um processo que actualmente faço com grande rapidez, utilizando a tal técnica e um pé pisar parte do fato e de puxar o outro pé para fora. Desta vez o Garmin também foi colocado no pulso com rapidez. Faltava agora saber se conseguiria calçar os sapatos em andamento sem me atrapalhar ou ter de parar para conseguir colocar aquilo melhor (como sucedeu no Iberman). Mas esse também foi um processo que correu sem espinhas. Em resumo, uma boa transição (se bem que ainda possa ser mais rápida).

O Ciclismo

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Os instantes iniciais do ciclismo são sempre passados à procura de um grupo que se possa apanhar para ir na roda. Tinha uns à minha frente, mas vi que seriam mais lentos para aquilo que eu poderia andar. Não serviam. Continuei e ainda antes da descida para Oeiras passam dois por mim em grande ritmo. Havia que arriscar, meti mudanças mais pesadas e tentei segui-los. O ritmo era bem forte e eu não sabia se conseguiria manter-me ali por muito tempo.

Nisto vem a subida a seguir a Oeiras e eu temi que fosse descolar deles. Nesse momento dei o que tinha e o que não tinha, a pulsação foi ao limite, mas consegui manter-me junto deles. Nessa subida éramos 3, depois mais uns e outros e acabámos por ficar um grupo compacto de 10 ciclistas na descida para Paço d’Arcos. O Garmin lá ia apitando “Beee Beee [Abrande]” já que a velocidade era maior que os 40Km/h, valor onde eu tinha definido em tempos um alarme, nem sei bem porquê.

Eu digo sempre que adoro esta prova pela paisagem onde decorre, em particular, o ciclismo ao longo da bela Marginal. Mas a mais de 40Km/h, no meio de um grupo, quem é que consegue apreciar a paisagem? Eu vou ali em transe, a olhar para a roda traseira do que segue à minha frente e espreitar o que segue logo atrás para perceber se tenho espaço de manobra. Um descuido e é a morte do artista. Andar na roda é fixe, mas obriga a atenção redo-tri-quadruplicada.

Chegámos à viragem em Algés em 14’50’’. Em inversões de marcha ou curvas apertadas há sempre alguém que tenta descolar e é preciso dar um sprint para manter a posição. Mal se fez a viragem deu para notar que o havia vento contra, sendo por isso de agradecer aos tipos da frente que foram a puxar aquele grupo a ritmo elevado. Eu mantive-me atrás de um e tentei aproveitar ao máximo o efeito de vácuo. A subida a seguir ao Jamor causou algumas brechas, mas notava-se que os da frente não tinham frescura para tentar fugi, tendo sido relativamente fácil voltar a unir.

Assim fomos andando até que reparei que estávamos a ganhar terreno a um grupo de uns 20 ciclistas, acabando mesmo por nos juntar a eles. Foi aí que vi o João Antunes nessa molhada de bicicletas. Nessa altura não sei o que me passou pela cabeça, mas com a euforia atirei-me para a frente deles todos. “Olha aquele gajo a tentar fugir!” terão pensado alguns. Durante uns, vá lá, 30’’, posso dizer que fiz uma fuga ao pelotão. Uau! Mas aquilo é tudo malta que pedala muito e rapidamente passei para o fim do grupo. Foi bom enquanto durou. A foto acima mostra esse pelotão, comigo na cauda.

Estávamos a subir em direcção ao PT e começava a ser tempo de pensar em tirar os pés dos sapatos. Tiro o pé direito, o sapato rola no pedal e faz um barulho do caraças no alcatrão. Felizmente manteve-se preso ao pedal e eu não tive de parar para o ir apanhar. Só que essa habilidade assustou todos à minha volta por perceberem que ali poderia estar alguém sem destreza para fazer aquilo. Foi o suficiente para ficar no meio de uma clareira. Fixe!

Este ano, em Quarteira fiz média de 31.9Km/h (grupo) e em 2012 tinha feito 30.1Km/h (sozinho). Na semana anterior, em Ayamonte, tinha feito média de 34.0Km/h (grupo), num trajecto totalmente plano. Mas agora, num trajecto com algumas subidas, fiz uns estonteantes 37.0Km/h (grupo) de média. Caramba! Nunca tinha andado tão depressa. E em relação a 2012, consegui baixar o tempo em 5’. Fosse sempre assim.

A transição Ciclismo / Corrida

Apenas a mencionar que nada houve de relevante para mencionar. Cheguei, estacionei, tirei o capacete e os óculos, calcei os ténis e Weeeeeee!

A Corrida

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Nesta prova, nuns 200m ao longo da Marginal, é um gozo enorme passar junto do público. Há apoio e ganhamos forças para andar mais depressa. É por isso que me faz confusão quando vejo o trajecto da corrida de alguns triatlos longos, onde põem a malta a correr numa pista de Karting ou ao longo de uma pista de aviação, num deserto enorme de assistência. A corrida, onde o apoio é mais necessário, é onde muitas vezes se anda mais sozinho. Não faz sentido.

Senti-me bem desde o início da corrida e com a sensação que poderia correr mais rápido do que tinha feito em Ayamonte na semana anterior. Falando de tempos e ritmos:

  Oeiras Ayamonte Quarteira
1 km 04:36 04:37 04:31
2 km 04:40 04:43 04:35
3 km 04:37 04:50 04:32
4 km 04:46 04:46 04:34
5 km 04:35 04:28 04:41
Total 00:23:22 00:20:34 00:23:04
Ritmo (min/Km) 4,38 4,41 4,34
(*) Em Ayamonte foram só 4,4Km

Sim, em relação a Ayamonte, fui ligeiramente mais rápido em Oeiras, mas pior que em Quarteira. O objectivo para 2014 está traçado: conseguir fazer isto a um ritmo entre 4:15 a 4:20min/Km. Estarei a ser demasiado ambicioso?

Foi bom, soube bem e gostei muito de ali ter estado. Daquelas provas que um dia mais tarde recordamos com prazer. E para terminar em beleza, fomos todos almoçar ao Capriciosa, em Carcavelos, porque uma prova de triatlo (ou outra qualquer) deve sempre terminar com um bom repasto, onde se partilham experiências vividas e se fazem planos para o futuro. Se for possível, o próximo objectivo será em Lisboa, a 10 de Agosto, num triatlo Olímpico organizado pela World Triathlon Promaster (WTP). Seria o culminar de uma excelente época de triatlo, com estreia na distância Olímpica e Longa (já feita no Iberman). Bons treinos!

Classificações: Absoluta / Escalões

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3 respostas a Triatlo de Oeiras – CN Clubes – 2013

  1. Muito bem. Gostei de ler. Especialmente porque me lembro de uma altura em que o Luís estava no “estaleiro” e andava a fazer uma serie de exames médicos, não foi? Pelo que se lê, já está tudo em forma de novo e não foi nada sério, ou se foi…já passou e eu fico contente!

    O Triatlo é daquelas coisas que…admiro imenso mas está completamente fora do meu alcance…

    Muitos Parabéns pela prova e pela boa descrição.

    • Obrigado Ana. Pois o ano passado foram ‘só’ umas 3 idas ao estaleiro, com uma rotura dos gémeos da perna esquerda e 2 casos da tal ‘síndrome da banda iliotibial’ também na perna esquerda. Há custa disso houve 2 estadias na fisioterapia e o esgotar do plafond do cartão do seguro 😉 Cheguei a Outubro muito desanimado com tudo isto e a pensar se valeria a pena tanta chatice. Mas as coisas têm agora corrido bem e esta tem sido uma boa época de triatlo. Em breve conto apostar mais na corrida. Primeiro para baixar o tempo na meia-maratona. E lá para Novembro, avalio se tento ir à maratona de Sevilha.
      Bons treinos e força nessas provas, cujos relatos eu tenho sempre lido com muito gosto

  2. joao rita diz:

    Tu vais lá, e com a regularidade que se exige, faça sol, chuva ,frio, vento, raios e outra coisa qualquer , e o próximo desafio que te lanço é tirares esses 4 ‘ e ……
    Bons treinos

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