À procura de novos ritmos na corrida

2012 Land Rover Tri Rock Lake Geneva

No final de Maio a minha filha mais velha começou a ir aos treinos de um clube de atletismo aqui da zona. A piscina já não estava a causar entusiasmo e a desmotivação tinha vindo a crescer nos últimos meses. Por isso, como nestas idades o importante é ir descobrindo novos desportos e não forçar um qualquer – só porque se acha que o petiz terá (deverá?) ali andar – achei que estava na altura de experimentar o atletismo. Afinal, a mãe tinha começado no atletismo com a mesma idade e por lá andou durante muitos anos.

Em paralelo descobri que há sempre um grupo que vai correr nas estradas e caminhos ali à volta, enquanto os Benjamins fazem o seu treino em formato de brincadeira. Um senão: este grupo de corredores é dos que corre muito mais do que eu, ou de outra forma, em que o seu passo lento é o meu passo das séries na pista. Sim, confesso que este pormenor intimidou-me na primeira corrida que fiz com eles. Diziam eles: “Podes vir connosco que hoje vamos «devagar», assim tipo meia horita a 5:00min/Km”. Bem, a esse ritmo, mesmo com algum esforço acrescido, eu devo conseguir acompanhar, pensei eu antes de fazer Start no Garmin. Pois foi a 5:00min/Km os primeiros, vá lá, 500m? e depois a 4:50, 4:45, até andarmos nuns estonteantes 4:30min/Km. Uffffff! Wow! É claro que não conseguia manter uma conversa e ia respondendo com uns ‘Sim’, ‘Não’ muito bruscos. Afinal, uma pessoa está ali para conversar ou para correr?

Primeira preocupação: as pulsações vão subir até ao limite e eu nem faço metade da corrida. Nem subiram até ao limite, como se mantiveram num patamar aceitável para o ritmo imposto, assim como consegui chegar ao fim. Segunda preocupação: há alguma merda que se se vai romper. Também cheguei inteiro, com tudo no sítio, e sem dores ou sintomas de danos internos. Passada a perplexidade, foi tempo de analisar o que se tinha passado – uma atitude típica dos Virgens que antes e depois de qualquer coisa, ponderam, equacionam e planeiam – então eu tinha andado naquele ritmo, de seguida, tão depressa como corria na pista, nas séries? Primeiro, a descoberta que até consigo correr mais depressa do que habitualmente corro. Segundo, a (re)descoberta que correr em grupo é ‘outra máquiiiinaaaaa!’. Terceiro, a noção que as séries na pista deveriam ser feitas a ritmos mais rápidos que aqueles que costumo fazer.

Com isto está traçado o objectivo para os próximos meses, a pensar sobretudo nas “X Milhas do Guadiana” lá para Novembro: melhorar de forma considerável a marca na meia-maratona e o tempo de passagem aos 10Km. O que é considerável? Tentar uns 47min aos 10Km e 1h47min à meia maratona? Sim, à volta disso, abaixo de preferência. Até lá, se nada se romper, se nada se partir ou estragar, é isso que espero atingir.

Como base de partida, nada melhor que avaliar a evolução que tenho tido na corrida desde que voltei a treinar no final de Janeiro a pensar no Iberman.

O primeiro quadro indica os treinos feitos num circuito de terra batida, onde cada volta tem cerca de 1 milha. Os primeiros treinos foram sempre feitos a ritmo lento, com o objectivo de ganhar resistência. Nos últimos treinos salienta-se a alternância entre ritmos médios e rápidos. P.e., no treino realizado a 5 de Junho, fiz 6 voltas, com a primeira e última a ritmo lento, e restantes a ritmo rápido progressivo da 2ª para a 3ª (5:14 / 4:50) e da 4ª para a 5ª (5:05 / 4:36), o que deu no final o tal ritmo medio de 5:18min/Km.

O segundo quadro indica os tais treinos feitos com o grupo do clube de atletismo (com excepção do que foi feito a 28 de Maio), num percurso quase todo em alcatrão.

Terra Batida              
Data Grupo Tempo Distância (Km) Ganho Elevação (m) Ritmo Médio (min/Km) RCMédio (bpm) RCMáx (bpm)
Sáb, 15 Jun 2013 Não 00:40:52 7,3 24 05:35 145 159
Qua, 5 Jun 2013 Não 00:53:21 10,1 36 05:18 149 172
Ter, 21 Mai 2013 Não 00:51:59 9,7 44 05:21 147 174
Qua, 24 Abr 2013 Não 01:00:59 11,1 47 05:29 142 157
Sáb, 23 Mar 2013 Não 01:05:09 11,2 40 05:49 142 156
Sex, 8 Fev 2013 Não 00:48:18 8,1 39 06:00 155 165
Alcatrão              
Data Grupo Tempo Distância (Km) Ganho Elevação (m) Ritmo Médio (min/Km) RCMédio (bpm) RCMáx (bpm)
Qui, 20 Jun 2013 Sim 00:28:09 5,8 32 04:53 154 167
Ter, 18 Jun 2013 Sim 00:40:17 8,1 61 04:57 155 172
Qui, 13 Jun 2013 Sim 00:36:48 6,9 32 05:19 143 159
Qui, 6 Jun 2013 Sim 00:29:40 6,2 45 04:49 155 165
Qui, 30 Mai 2013 Sim 00:35:00 7,3 45 04:48 156 170
Ter, 28 Mai 2013 Não 00:32:40 6,1 32 05:22 143 158

Ou seja, tenho corrido pelo menos 6Km a ritmo médio que ronda os 4:50min/Km, o que é claramente superior aos restantes treinos feitos no tal circuito de terra batida onde costumo correr sozinho. E se consigo fazer isto com apenas 3 treinos por semana, sem séries, fartleks, rampas ou longos, então, com mais treinos conseguirei certamente evoluir para ritmos ainda mais elevados. É assim que tenho de pensar, é assim que penso neste momento, é assim que vou começar a treinar em breve.

Mais uma coisa. Sabem porque é bom registar todos os treinos desde o início? Porque um dia mais tarde vamos comparar tempos ou resultados e temos surpresas agradáveis. A evolução, além de se sentir, pode ser medida. Neste caso fica a comparação da corrida feita a 8 de Fevereiro, em que andei a 6:00min/Km com RCMédio de 155bpm e CRMáximo de  165bpm, com a corrida feita a 20 de Junho, cerca de 4 meses e meio depois, onde andei a 4:53min/Km com RCMédio de 154bpm e CRMáximo de 167bpm, ou seja, 1’07’’ mais rápido por quilómetro, com o mesmo nível de esforço.

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2 respostas a À procura de novos ritmos na corrida

  1. Joao rita diz:

    Só para te alertar deste pormenor “…(re)descoberta que correr em grupo é ‘outra máquiiiinaaaaa!’……” por vezes é meio caminho andado para que um trabalho de muitos meses vá por água abaixo. É o ambiente propicio para o surgimento das lesões.
    Bons treinos

    • João, não deixas de ter uma certa razão, mas também é certo que tem sido nos treinos em grupo onde eu tenho superado muitos limito e ido mais longe. Sozinho teria receio ou preguiça de tentar fazer mais ou melhor. Se andarmos sempre a treinar com quem é muito mais rápido que nós, é certo que a lesão é um enorme risco. Mas se treinarmos de vez em quando, isso serve como incentivo, como o tal momento em que descobrimos que consiguimos fazer melhor

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