Mas que «linguagem» do corredor?

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Há dias tropecei neste post “Aprenda «Linguagem» do corredor”. Entre algumas expressões que já conhecia, por serem tão comuns, diria mesmo da cultura geral entre corredores e não corredores, houve outras expressões que me deixaram boquiaberto. Eu terei começado a correr há cerca de 2 anos. Nesse período também já conheci muitos outros corredores, já treinei em grupo com diversos corredores e já fiz várias provas onde ouvi conversas de mais corredores. E nesse universo que já conheci, o qual, sinceramente, não considero pequeno, garanto que nunca, mas nunca, nunca mesmo, em tempo algum, ouvi várias das expressões que são mencionadas no referido post. A dúvida é se aquelas expressões pertencem ao universo da maioria dos corredores ou se apenas fazem parte de um grupo restrito de amigos que fala, vá lá, de forma peculiar. Alguns exemplos:

«ESTAR DA COR DA ABELHA» – Diz-se quando um atleta em pleno esforço, ou no final de uma prova, apresenta nítidos sintomas de extremo cansaço.

«VINTE BRASAS» – O mesmo que 20 km.

«BIOLÓGICA» – Expressão frequentemente utilizada no final do treino e do respectivo duche, quando se convida o colega para beber uma cerveja.

«Vamos a uma ololóqica?», dificilmente será compreendido por quem não for corredor.

«PULSAS» – Não é mais do que a.abreviatura de pulsações e é frequente escutar-se no final do treino um ou outro atleta dizer que terminou com 30 ou 35 «pulsas».

«ololóqica»? Perdão!? Eu acho que sou corredor e dificilmente entendo o que quer dizer. Aliás, não entendo mesmo. Alguém sabe?

«Da cor da abelha» a abelha é amarela e preta. Quem no final de uma prova estiver da cor da abelha é melhor chamar o 112, porque muito certamente estará prestes a ter uma coisinha má.

«brasas» sempre pensei que no calão, brasas se associava ao dinheiro. Com isto fico também a pensar que o Garmin Connect deveria implementar mais um sistema métrico de apresentação de resultados, o “Xunga Metric”, que daria coisas como isto: “Você correu 6,3 brasas em bué da time, correspondendo uma cena de uma média de 5:17min/brasa e um RCM quase da cor da abelha».

«pulsas» tenho a certeza que o corredor que diz “pulsas” – infelizmente não conheço um que seja – será o mesmo que diz «jolas». Há aqueles que põem “inhas” e “inhos” em tudo, assim como há aqueles que usam o calão em formato telegrama.

«biológica» esta é uma pérola. Eu, que no final dos treinos e do duche na pista de atletismo apenas quero ir para casa, nem fazia ideia que existe um mundo paralelo, pós treino, onde se consomem «biológicas». Cá para mim este será o nome de código que inventaram para a desculpa que depois é dada em casa: “Então!? Isto são horas de chegar?”; “Desculpa! Mas estive com uns amigos a tratar de uma coisa biológica”. Isto é tão forte e consistente que certamente não irá originar mais perguntas por quem nos recebe em casa com cara de poucos amigos.

As crónicas de um corredor da Zona J:

“Zé Tó acordou com a cabeça a doer-lhe tótil. Já devia saber que tanta biológica à noite acaba em tosga. Mas calçou os All Star, vestiu a camisola de buracos e lá saiu para fazer duas horinhas. “Tasse bem”, disse ele ao ver que as pulsas estavam fixes. “Hoje faço 20 brasas, nem que tenha de tomar um chá” – repetiu ao olhar para o gel – “Até porque isto é tudo plano até às Amoreiras”. Mas mais à frente, ao ouvir o chincalhar das moedas no bolso dos calções, que tinham ficado do dia anterior em que andou a arrumar carros, desabafou: “Fónix! Vão ser 20.000 com elas”. Ao passar em Xabregas avistou um bacano a correr mais devagar. “Cola ao gajo!” gritou-lhe o Fanã, um amigo que o viu passar. Zé Tó parecia ter ganho um segundo fôlego e deu uma ratada ao pintas que corria com um equipamento bué da foleiro. Mas nisto deu-lhe uma dor de burro. “É melhor ir a meio gás senão ainda bato muro”. Bué da cansado e da cor da abelha lá chegou às Amoreiras. Como não levou líquidos consigo, sentia-se desorientado e só gritava: “Ololóqica! Ololóqica! Ololóqica!”. Foi então que apareceu o Bacalhau, outro amigo que, ao vê-lo naquele estado, disse-lhe: “Tás coxo!”. “Estou nada! Isto é só saúde”, respondeu Zé Tó a enrolar uma broca.

Jovem, quando fores correr em grupo, se me permites a sugestão, não uses esta «linguagem» que dizem ser frequente entre corredores.

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7 respostas a Mas que «linguagem» do corredor?

  1. João Lima diz:

    Eu corro há 8 anos e não sei o que é uma ololóqica!

    Quem não corre, basta ouvir a mais trivial resposta a uma pergunta se correu bem a corrida “foi bom, foi 5.10” para ficar sem perceber patavina. Agora essa da ololóqica fiquei curioso

  2. José Guimarães diz:

    Olha lá. A sério. Não queres participar nos malucos do riso ou algo assim? É que eu já estava da cor da abelha de tanto rir!!! Eu nem na ilha da Madeira ouvi falar assim! Ai que ainda me dá uma ololóqica!!!!! 🙂

  3. joao rita diz:

    fenix não percebem nada , ololóqica significa DOR DE BURRO!!!!!!!!!!!

  4. Ele diz:

    Por acaso também já tinha lido esse post e pensei cá pra mim, sou mesmo ignorante, não percebo nada de corrida, se calhar tenho de começar a dar-me mais com o pessoal que corre…lol
    Menos mal, já não estou sozinho 🙂

  5. José Pedro diz:

    ” Cor da abelha ” é uma expressão usada mais para o norte do país e nada tem a haver com as corridas.
    Muitas delas também não ouvi até agora, mas Portugal é um país rico em diversidade, mesmo sendo pequeno.

  6. Anónimo diz:

    rsrsrsrs!!!! fiquei com “dor de burro” de tanto rir 😀

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