Tu achas que andas muito …

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… até ao dia em que num treino alguém te deixa a ‘comer o seu pó’.

Entre muitas hipóteses, vamos imaginar um Ford Fiesta 1.2 a gasolina e um Citroen C3 1.4 HDi, ambos com 75Cv (creio). Dois carros de gama baixa, aparentemente com o mesmo andamento. Os dois encontram-se numa estrada a circular no mesmo sentido, numa velocidade de 100Km/h. A estrada é plana e a essa velocidade nenhum deles estará em grande esforço. Mas nisto aparece uma subida. O Ford tenta manter a velocidade mas repara que a sua distância para o Citroen começa a aumentar. A solução é meter uma mudança abaixo para manter a distância. Mesmo assim o Citroen vai-se afastando. Mais uma mudança abaixo e o motor do Ford já está a ganir naquela subida, num esforço enorme para manter a velocidade e a distância ao carro da frente. Até que o Ford desiste e o Citroen lá segue o seu caminho.

Bem, uma metáfora automobilística para falar de um treino de ciclismo, ou mesmo de um de corrida ou de natação. No Sábado passado, fui fazer o treino longo de ciclismo (aliás, o único de ciclismo que ando a fazer por semana). Devíamos ter ido uns 4, mas problemas de última hora reduziram o grupo a 2. Mal saímos de Olhão achei que algo não estava bem. Eu estava a tentar fazer conversa com o meu colega de treino e já estava a sentir-me ofegante. Ainda nem tínhamos feito 1Km. Seria por irmos a pedalar a mais de 30Km/h e estar vento contra? Continuámos e vieram as primeiras subidas. Nesse momento a conversa nem sequer era hipótese. Coloquei-me a ‘andar na sua roda’ e tentei manter um andamento que era claramente superior ao que costumava fazer nos treinos. Nisto veio uma pequena subida com maior inclinação e eu lá fiquei para trás, completamente incapaz de acompanhar aquele ritmo.

Nesse momento lembrei-me daquela metáfora. Dois ciclistas, que aparentemente conseguiriam andar ao mesmo ritmo, são separados quando uma subida vem mostrar as diferenças nos ‘motores’. É uma sensação de frustração. Estamos colados à roda da frente e nisto reparamos que a distância começa a aumentar. Saímos do selim, começamos a pedalar de pé, o esforço aumenta e lá recuperamos um pouco. Mas é insuficiente. Colocamos mudança mais pesada, as pernas começam a ganir, recuperamos ligeiramente, mas é impossível manter o ritmo. A não ser que o treino termine uns metros mais frente, o que nunca é o caso. Fazemos aquele esforço todo mas temos de pensar que ainda faltam mais umas horas de treino pela frente. Por isso, ou abrandamos ou o treino acaba de forma precoce.

É claro que nestas coisas o melhor é esclarecer logo que «amigo não empata amigo» e que, se não existe capacidade, vontade ou interesse em manter sintonia no ritmo de treino – onde o mais rápido ou forte é que terá de adaptar o seu andamento ao do mais fraco – então o melhor a fazer é cada um seguir o seu caminho no ritmo que mais lhe convém e depois logo se combina um café no final do treino.

Falando de metáforas, olhando para aquela foto e para a subida, eu seria o Ford Fiesta 1.2 e o Bradley Wiggins seria certamente um BMW X5

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