Never ever give up

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A senhora da foto chama-se Diana Nyad e eu falei sobre ela em 2011. Desde essa altura que ela faz parte de uma minúscula lista de personalidades em destaque neste blogue, que pode ser vista no fim da coluna da direita. O que me levou a destacá-la? Em 2011, com 61 anos, prestes a completar 62, Diana Nyad decidiu voltar a tentar nadar 103 milhas, entre Cuba e Florida, sem ir protegida por uma jaula contra os inúmeros tubarões que povoam aquelas águas. Recordo o que escrevi na altura:

Eu como uma fatia de pão com doce e bebo um copo de Aquarius antes de entrar na piscina, ela, a cada hora e meia, irá ingerir uma mistura líquida de proteína pré-digerida e blocos de electrólitos em gel, e comer um pedaço de banana ou uma fatia de manteiga de amendoim. Eu, ao fim de 500 metros, já me interrogo sobre a necessidade de nadar para não ficar como o Ian Thorpe, do efeito dos pêlos no deslizar sobre a água, sobre a crise, sobre o Tsunami de despedimentos, sobre a falência do Alegrete, ou mesmo sobre as mamas da Maya, mas ela, diz que canta mentalmente canções de Janis Japlin, Neil Young e Beatles, para quebrar a monotonia.

Com 61 anos, depois de 29 horas a nadar – apenas com paragens de 2 min a cada 90 min e sem se poder apoiar nos barcos de apoio – ela conseguiu completar metade da travessia. Durante esse tempo que nadou, teve de lutar contra a ondulação, suportar uma dor no ombro e ultrapassar um ataque de asma. Sentindo-se incapaz de prosseguir, tomou a difícil decisão de desistir dessa tentativa, nunca do sonho. Estava a vomitar quando a recolheram para o barco e disse na altura que não estava triste, que tinha sido a melhor decisão.

Em 1978, com 28 anos, Diana Nyad tinha feito a sua primeira tentativa para realizar o sonho de unir Cuba aos EUA a nadar. Dessa vez ela nadou protegida por uma jaula contra tubarões. Mas ao fim de cerca de 76 milhas, as condições atmosféricas pioraram e a forte ondulação fazia com ela chocasse contra a jaula, impedindo-a de nadar.

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O trajecto de 103 milhas, entre Havana e a praia de Key West, na Florida

Serão muito poucos os seres humanos capazes de pensar em nadar 103 milhas de uma só vez. Menos ainda os que poderão pensar nessa ‘loucura’ aos 61 anos. E os raros que podem tentar isso, se falharem, talvez pensem em tentar mais uma vez. Mas quantos é que seriam os que tentariam uma terceira vez? Não faço ideia. Mas sei que a Diana Nyad tentou realizar o seu sonho pela terceira vez e, falhou. Uma luta injusta contra alforrecas e caravelas-portuguesas. Bom, quem tenta três vezes, tenta quatro, certo? Claro que sim. A Diana Nyad fez uma quarta tentativa o ano passado. Mais uma vez descobriu que os tubarões eram o menor dos problemas. No caso dos tubarões, o barco de apoio está constantemente a emitir uma descarga electrónica com uma corrente eléctrica que é imperceptível para os seres humanos, mas forte o suficiente para manter a maioria dos tubarões ao largo. Mas no caso das alforrecas, não há descarga electrónica que as afaste. O corpo toca nos tentáculos, dá-se a reacção alérgica e é muito difícil pensar em continuar. Nas palavras de Diana Nyad, o seu veneno é «como óleo quente a entrar no corpo». E à quarta tentativa, com a cara completamente deformada pelo inchaço da reação alérgica, Diana Nyad adiou mais uma vez o seu sonho. Desistir de vez estava fora de questão. E um ano depois avançou para a quinta tentativa.

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Nesta quinta tentativa, Diana Nyad usou uma máscara que lhe protegeu a cara contra qualquer encontro imediato com uma alforreca.

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Em todas as tentativas, Diana Nyad foi sempre acompanhada por uma equipa de apoio de cerca de 25 elementos. Nas diferentes missões que compete a cada um, está por exemplo a identificação de uma ‘janela de oportunidade’ de 3 dias, onde estejam reunidas as condições ideais para avançar: vento fraco ou ausência de vento, que minimize a ondulação, e uma temperatura da água que ronde os 30ºC. Existe um diferencial de temperatura na água que pode ser mais um factor que provoque o insucesso: na primeira metade do percurso, a temperatura mais elevada da água pode aumentar em demasia a desidratação. Já na segunda metade, a temperatura mais baixa pode levar à hipotermia. Para garantir a rota correcta, Diana Nyad é acompanhada de perto por um Catamaran que consegue navegar no rumo certo a velocidade muito reduzida. Desse barco é puxada uma corda submersa, a qual serve de guia para a nadadora, como se fossem as boias de uma pista na piscina.

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E à quinta tentativa, após 52h e 54min enfiada dentro de água, Diana Nyad chegou à praia de Key West, na Florida. Foram 103 milhas a recitar o seu mantra: “You don’t like it. It’s not doing well. Find a way“. Aos 64 anos, e 36 anos depois da sua primeira tentativa, Diana Nyad realizou o seu sonho. Ao chegar à praia, com a cara queimada do sol e os lábios deformados pelo inchaço, Diana Nyad fez questão de transmitir 3 mensagens:

– One is we should never, ever give up

– Two is you never are too old to chase your dreams

– Three is it looks like a solitary sport, but it’s a team

E se a Diana Nyad completou o seu sonho aos 64 anos, sou eu, aos 44 anos que vou dizer que um Ironman não é possível?

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4 respostas a Never ever give up

  1. Existem pessoas realmente extraordinárias ! Diana Nyad é um exemplo delas!! Sua descrição foi sensacional! Parabéns pelo blog!
    Abraço
    Vanessa

    http://www.nossodiariodetreino.wordpress.com

    • Obrigado Vanessa. Há exemplos de enorme superação e longevidade no triatlo, mas a Diana Nyad conseguiu ir ainda mas longe. São nestes exemplos que devemos pensar quaando por vezes temos preguiça de ir treinar. As grandes conquistas não caem do céu, mas obrigam a grende esforço e dedicação

  2. Luís há tantos exemplos, por exemplo o Marco Olmo um senhor que com 60 anos ganhou o UTMB, atenção com 60 anos! http://armel.outdoor.activities.over-blog.com/article-il-corridore-the-runner-marc-olmo-76629040.html

  3. Joao Rita diz:

    Ironman não é um bicho de sete cabeças, mas é um enorme bicho que se se para cruzar a linha de meta dentro do limite de tempo só se tem que treinar.
    http://estremoztriatlo.blogspot.pt/

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