Maratona BTT/Trail, Cidade de Faro 2013

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Dia 22 Setembro, lá fui à anunciada prova de Trail de 20Km e 200mts de desnível. Sabíamos que a partida seria junto ao Fórum Algarve, mas desconhecíamos o percurso, já que a organização fez questão de o manter secreto. Ora, tendo em conta a altimetria à volta da cidade de Faro e pensando que o ponto mais afastado teria de estar a 10Km da partida, ficava a dúvida onde conseguiriam arranjar 200mts de desnível, já que toda aquela zona é bastante plana. Em relação a abastecimentos, estava anunciado um único de líquidos e sólidos aos 10Km (para a prova dos 20Km). A organização também salientava que este Trail tinha como objetivo promover a prática desportiva  de Trail Running no Algarve, e que não seria realizado pódio nem atribuídos prémios, sendo apenas publicada uma lista com a ordem de chegada e respectivos tempos.

Depois das 2 últimas semanas a fazer treinos longos de 19Km e tendo em consideração que o plano de treinos que estou a seguir para a meia-maratona previa uma prova de competição de 10Km para este Domingo, decidi que a participação neste Trail seria feita em ritmo moderado, sem puxar demasiado, transformando o evento num treino longo. Esse era também o objectivo dos dois companheiros de corrida que seguiram comigo nesta aventura. Aliás, foi o facto de saber que iria ter companhia que me fez avançar para esta prova, já que não me apetecia fazer 20Km sozinho.

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Manhã da prova e o ambiente era de total descontração. A diferença que faz entre partir para uma prova a pensar no tempo que se vai tentar atingir ou partir para uma prova onde basicamente se pretende chegar ao fim, leve o tempo que levar. Como ali se misturavam 2 provas, de BTT e Trail, onde os ciclistas eram mais que muitos, fomos sempre recuando no corredor da meta para garantir que não seriamos atropelados após a partida. Às 9:00 foi dada a partida e nós, corredores em geral, aguardámos pela saída das bicicletas. O passo seguinte era tentar perceber para onde nos queriam levar. Uma volta à rotunda, outra volta à outra rotunda, passagem junto ao Teatro das Figuras e … sim, parece que íamos para o Ludo.

Primeiros Kms com ritmo médio a rondar os 5:30min/Km, conversa animada e espírito positivo. Tudo levava a crer que seria uma pacata manhã de Domingo. Aos 5Km, já com o Hospital das Gambelas à vista, percebemos que afinal vamos seguir para Noroeste e que o Ludo ficaria posto de parte. Até essa altura eu interrogava-me porque raio tinha levado uns ténis de Trail já que a maior parte do percurso tinha sido feita em alcatrão. Mas finalmente lá apanhámos um interminável caminho de terra batida. Nada que impedisse o uso de ténis de estrada, mas pelo menos assim já tinha mais ar de prova de Trail. Era um caminho com bastantes árvores que faziam sombra suficiente para esquecer por momentos que iria ser uma manhã quente.

E assim fomos, animados e descontraídos até aos 10Km, onde encontrámos o anunciado abastecimento. WOW! Com copos de água tirada do chafariz? Hum … então e os sólidos? Bem, era o que havia. Bebemos o que pudemos e eu cometi o primeiro erro crasso de não encher o cantil que levava à cintura. Estava a meio, só com bebida isotónica e eu achei que seria suficiente para fazer os restantes 10Km. Tomei um gel, fui ao mato aliviar a bexiga, e lá seguimos viagem. Nesse momento tínhamos perdido o contacto com a maioria dos pequenos grupos que seguiam perto de nós. Eles seguiram caminho rapidamente e nós ficámos para trás. Calma! Sem stress. Afinal aquilo seria um passeio, certo?

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Estádio à vista e a constatação do que seria previsível: iriamos ter de subir ao alto da bancada Nascente. E assim se fariam mais uns 15 ou 20m de acumulado de subida. Vá lá, pelo menos não tivemos que subir também ao cimo da bancada Poente. Valha-nos isso. Voltinha tonta efectuada e seguimos caminho ainda com o espírito elevado. Mais uma centena de metros e, para espanto nosso, outro abastecimento, o tal que tinha sólidos e líquidos. EH! Grande festa! Toca a comer laranja – que soube lindamente – toca a beber água e … segundo erro grasso: não enchi o cantil. Afinal ainda tinha meio cantil de isotónico, estávamos com quase 12Km e apenas faltavam 8Km para a meta, certo?

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Seguimos caminho num passo claramente de passeio, com ritmo entre os 6:00min/Km e os 6:15min/Km. E foi então que não reparámos num sinal onde deveríamos ter virado à esquerda. Fomos andando até chegar a um cruzamento com uma estrada de alcatrão onde não havia qualquer indicação. Nem fitas vermelhas e brancas nas árvores, nem placas laranja com setas, nem sequer setas pintadas no alcatrão. ALTO! Uma coisa era certa: até ali todo o percurso estava bem identificado, por isso, se ali não havia qualquer indicação era porque de certeza tínhamos falhado o caminho. Nisto, o pior não é poder estar perdido. Afinal, aquilo não era um trail no meio do mato, com poucas referências visuais. Aquilo era uma prova onde, bem ou mal, saberíamos ir dar à meta, mas convinha era que o fizéssemos pelo caminho correcto, nem que fosse por uma questão de não fazer batotice. Nestes erros, o pior é pensar que o caminho correcto ficou algures lá atrás e que teremos de fazer alguns metros a mais que seriam desnecessários. Mais metros, mais esforço. Medição feita no Google e já vi que foram quase 800m a mais. Fixe!

Regressámos pelo mesmo caminho e lá estava a indicação numa árvore. Raios! Porque raio não vimos aquilo? Bem, creio que nesse momento houve um pontapé no tal espírito positivo. Dores, cansaço e sede, tudo o que era negativo parecia ter decidido dar um ar de sua graça. Mas o que é que estamos a fazer aqui? Está calor! Tenho sede! Tenho muita sede! Ai que farto! Fartinho! Ai que sede … já tinha dito?

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A parte positiva era que estava ali o Deni Vargues, que se anda a preparar para o Iberman do próximo dia 5 de Outubro. E o Deni é das tais pessoas que queremos ter connosco no bote salva-vidas. Estivesse o Deni ali junto do Jack Dawson, no filme Titanic, e garantidamente que o moço não teria morrido de frio. O Deni, como é seu hábito, foi puxando por nós e lá conseguiu fazer com que esquecêssemos os pensamentos negativos. O problema foi quando o Garmin apitou para os 20Km e nós vimos que um prédio alto que ficava junto da meta ainda estava bem longe. Pumba! Outro pontapé no espírito positivo. Nesse momento não havia Deni que me pudesse valer. Estava com calor, farto e cheio de sede. Com muita, mas muita sede.

E foi assim que fizemos os 4, repito, os qua-tro últimos Kms, para além dos 20Km anunciados. Afinal, quem faz 20Km, faz 24Km, certo? Pffff! 20% de erro na distância anunciada. Peanuts. Foram 4Km feitos com algumas caminhadas pelo meio, o que deu um ritmo médio a rondar os 7:00min/Km. Haja alegria. Quando uma pessoa se sente bem e confiante, julga-se capaz de todas as conquistas. Mas naquele momento, eu só pensava: “Como raio é que alguém nada 3,8Km, pedala 180Km e ainda é capaz de correr 42Km? Como!?”. Que ninguém me falasse em fazer um Ironman que eu partia para a violência. E o tal prédio fazia lembrar o pórtico na praia, quando fiz o Iberman. Andamos, andamos, andamos e a coisa parece que está sempre à distância. Frustração do caraças. Tinha tanta sede que, a uns 300m da meta, ainda pensei em ir beber água à estação de serviço da BP.

E ao fim de 2:25:25 lá cortámos a meta para uma distância total de 24.1Km. Ora isto dá um ritmo médio de 6:02min/Km. Ritmo de passeio, certo? O caricato é que, sem estar à espera, acabei por bater o meu recorde da distância mais longa a correr. Algo que vale a pena destacar: lá em Lisboa, numa tal corrida onde 10.000 pagaram 10€ pela inscrição (veja-se o lucro daquela merda), no final cada um apenas tinha direito a uma maça Liliputiana e a uma garrafinha de 0,33L de água. No final desta prova, por 5€ de inscrição, tivemos direito a laranjas, bananas e a garrafas de 1,5L de água. Apenas um pormenor.

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12 respostas a Maratona BTT/Trail, Cidade de Faro 2013

  1. Luis aprendi que as distâncias num trail são meramente indicativas. Senão vejamos increvi-me para um trail de 21km anunciados, à partida dizem que aumentaram até 23km, a meio da prova alguém diz que seriam 24km, sendo o resultado final de 26km! Começo a gostava cada vez mais dos trails, mais desafiantes e com paisagens muito mais bonitas do que provas de estrada. Em relação à Corrida do Tejo eram 13€ e não 10€ (foram para os primeiros 1000) tendo em conta aquilo que apanhámos, é muito caro! Eu fui porque me ofereceram o dorsal. Não pagavam tanto para uma prova de 10km. Um abraço

    • Sílvio, mas a organização, para calcular a altimetria, tem (deverá?) de fazer o reconhecimento prévio. E nessa situação, o anúncio prévio da distância deveria ser o correcto. P.e., o que seria se no UTMB, em vez de 100 milhas, houvesse 105 milhas?
      Nisso da beleza e do desafio também concordo contigo. Não me refiro a este, que foi ao longo de uma zona ‘pouco interessante’ ou desafiante, mas penso no da Serra D’Arga ou mesmo no da Madeira (com grau de dificuldade elevadíssimo). Isso sim, deve dar um gozo do caraças tentar completar um desafio desses.

  2. Nuno Botelho diz:

    Que bela análise da prova. Parece que estava a ler algo que eu escreveria num diário (se o tivesse)! O meu Garmin deu uma distância de 23,3 km (mas provavelmente porque voltei para trás – no mesmo desvio que não viste – depois de um pequeno grupo que ia à minha frente estar já a voltar para trás). Desnivel acumulado de 94 m (200m+?). Os meus parceiros foram um coimbrão/ conimbricense/conimbrigense e uma albufeirense que os ritmos e companheirismo comum nas corridas acabam por juntar.
    Fico a aguardar um novo trail por terras algarvias (Serra de S.B.Alportel ou Monchique). Temos locais e paisagens para isso. Não fosse a via algarviana um local de excelência para um desafio desses.

    • Nuno, no Garmin tenho indicação de 82m de acumulado de subida. Já o Runkeeper diz que houve um acumulado de 175m. Vá-se lá entender 🙂
      Agora a grande questão: porque raio continuamos sem uma prova de competição de Trail neste Algarve? Um Trail entre serras e vales, com muito acumulado de subida, mesmo para os trajectos mais curtos? Por falta de elevação não será certamente. Serra de S.B.Alportel, Monchique, etc. Paisagens fantásticas … o que falta? Será pela mesma razão que por aqui é raro haver uma prova de 10Km? Não se entende.

    • Carlos Dias diz:

      conimbricense 😉
      Tornou-se mais facil chegar à meta a puxar uns pelos outros! O post está muito bom, descreve na perfeição a prova!

      já há lista final dos resultados? nem o tempo que fiz sem bem..
      abraço

  3. Lénia diz:

    Ai que sede me deu ao ler este teu post! 🙂 Esteve um dia de muito calor, deve ter sido um sofrimento do caraç#as cumprir essa distância com calor e sede. Mas, pronto, está feito! Sobreviveste! Check! Venha a próxima!

    • 🙂 Sede, muita sede. Já na parte final, passámos por um sítio onde havia um dispositivo de rega. Em avancei para ele e fui molhar o boné. O Deni, mais atrás gritou: “não bebas água, que pode ter pesticidas!”. Eu coloquei o boné na cabeça, fizeram-se umas piadas sobre a probabilidade do cabelo crescer de forma descontrolada por causa de adubos na água e lá seguimos caminho. Mas por momentos, acredita, estive mesmo para beber daquela água.

  4. Pingback: In Vino Veritas | Ma Ke Jeto, Mosso on Sports

  5. Stefano diz:

    olá a todos, eu também participei nesta prova ” não competitiva”. cheguei que faltavam 20 min. da partida mas uma simpatica senhora disse que ainda podia fazer a inscrição. assim juntei-me ao pequeno grupo que aguardava a partida deste trail. a minha experiência foi de ter ajudado dois miudos com a bicicleta no single track antes do estadio do algarve ( o pai seguia atrás e dizia-lhe para pedalar… empurrei um para uma pequena subida que fiquei todo roto, mas tinha que ser. depois do estadio quando havia a separação dos dois percursos o cartaz dos 46/65 estava caído e o Ricardo Roncon voltou a por de pé. pouco depois do abastecimento dos 20 km na zona da Falfosa aparece-me a frente um corredor que tinha ultrapassado ainda antes do hospital de Gambelas (algum atalho?), este mesmo depois liderava um grupo de 5 corredores que eu seguia sem conseguir alcançar até me aperceber que já não havia indicações do percurso, o grupo lá mais a frente fazia sinal para continuar que era o caminho certo, mas já o erro estava feito (percebí bem com o teu relatório que não fomos os únicos a ficar enganados). então lá seguimos pela estrada até patacão e depois pela 125 até a linha da meta. Eu ainda parei na Bp para molhar a cabeça mas foi uma pena não ter partilhado o mesmo percurso com todos.
    Para realizar um bom trail nem era preciso incomodar São Brás ou Monchique. Com partida e chegada na aldeia de Estoi com 464mt de subida já realizei um percurso que está visível neste endereço: http://www.mapmyrun.com/pt/santa-barbara-de-nexe-faro/estoirunner-25k-trail-route-90505523

    • 🙂 Stefano, rico treino esse. E com subida ao Guilhim, onde fizémos há pouco tempo um dos tais eventos no grupo “Corridas à 6ª Feira“. Fica também o convite para aderir ao nosso grupo. Todas as 6ª Feira, pelas 20:30, uma corrida/treino/convívio de cerca de 10Km, sempre em local diferente. Também pode ser um circuito citadino, como uma volta no Ludo, como uma subida ao Guilhim.

  6. Helena diz:

    Boa noite!
    Realmente a prova encontra-se bem relatada! Lembro-me muito bem do “paraíso”, depois de me sentir enganada pelo copo da água do chafariz, e do edifício Oásis que servia de referência à meta!…
    Também fiz o trail de 20Km! Nunca tinha participado em nenhuma. A minha preparação não era a melhor, razão pela qual no dia seguinte doía-me o corpo todo! Aproveitei a companhia da minha amiga e lá fui! O importante é participar…
    O Total contabilizado pelo programa Endomondo foi de 23,21Km! Nunca pensei que fossem tantos Km! Tempo da realização da prova 2:40m.
    Obrigado ao ciclista que nos ofereceu o resto da sua água! Que calor!
    Ao menino que disse que fizemos batota fica cá o registo do Endomondo: 23,21km! Nada de batota!…
    Cumprimentos
    Helena

    • Boa noite Helena.
      De facto, aquele segundo abastecimento trouxe grande euforia. Eu tenho feito cerca de 50Km por semana e há duas semanas que fazia um longo de 19Km ao Domingo. Mesmo assim, também fiquei com queixas nos gémeos. Ou seja, isto serviu para eu pensar como é que vou avançar para a maratona de Sevilha, em Fevereiro de 2014, onde nos treinos, será necessário efectuar pelo menos 2 treinos longos de 3h ou de 33Km.
      E concordo, custou mas valeu a pena pela participação. Aliás, alguém que organize mais destas.
      Já agora, fica também o convite para aderir ao nosso grupo “Corridas à 6ª Feira“, onde todas as 6ª Feira, pelas 20:30, há sempre uma corrida de 10Km em local diferente. Tanto pode ser uma corrida citadina, em São Brás de Alportel, como uma subida ao Cerro de São Miguel. O andamento é acessível a todos

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