In Vino Veritas

Picture 496

Sábado, véspera da tal prova de Trail que eu tinha decidido ir fazer a ritmo de passeio, o almoço teve o seguinte menu: cavalas escaladas em cima de meia bola de pão fresco, regadas com pequeno fio de azeite, acompanhadas com salada de tomate e cebola roxa. De sobremesa, fatia de bolo de manga com gelado de tangerina. No fim, um Nespresso acompanhado de chocolate com cacau 90%. Para ‘empurrar’ as cavalas, houve um (dois?) copo de vinho branco estupidamente gelado.

Andar de bicicleta nessa tarde? Vai tu! Nada de treinos nesse dia. Preguiça total. Bem vistas as coisas, ainda não tinha parado de treinar um dia nessa semana. O pior que podia acontecer? Ficar com problemas de consciência por ser uma semana sem treinos de ciclismo? Sem haver uma prova nos próximos tempos? Nããããããã!

E lá veio o jantar, composto pelo seguinte menu: posta de salmão grelhado, acompanhado de esparguete com azeite e alho, com um copo de vinho tinto a rematar. De sobremesa, uma simples gelatina.

Ou seja, aparentemente, tudo coisas pacíficas e saudáveis. Fui-me deitar e, pelas 2 amanhã, acordo com moinha na cabeça. Fuck! Por mais estúpido que pareça, estava com os típicos sinais de ressaca … por causa de dois copos de vinhos ao longo do dia? Amazing! Quando é assim, já sei que se insistir em tentar continuar a dormir, o mais certo é a dor de cabeça aumentar e ser bem pior ao acordar. Sem hesitações, lá foi um Ben-U-Ron para ver se aquilo ia ao lugar. Portanto, com cerca de 8 a 10h de efeito, ao tomá-lo às 2 da manhã, isso queria dizer que no dia seguinte ainda iria correr na prova sob o seu efeito, que é coisa que eu nunca faço. Isto por causa da tal conversa sobre aqueles inconscientes que avançam para as provas sob o efeito analgésico de Voltarene ou Brufen, ou que os tomam ao longo de um treino. Sim, há quem faça isso. P.e., os tais 13% de corredores que teriam tomado anti-inflamatórios não esteróides (AINE) nas 24h que antecederam a maratona da Nova Zelândia, em 2002 (dados de um estudo).

Eu tomei um Ben-U-Ron, não um Brufen, e mesmo assim é coisa que detesto fazer antes de uma prova ou de um treino. Acordei sem ‘impressão’ na cabeça, mas ainda a sentir o tal ligeiro incómodo de uma ressaca light que teria sido causada por 2 míseros copos de vinho. E o problema disto, se é que existe, é apenas sentir-se um desconforto? Não, o problema disto é que as pulsações acabam por ficar mais altas que o normal. P.e., quando cheguei ao local da partida, em vez de ter uns 75 a 80bpm, estava com valores entre 90 a 95bpm. Parece pouco, ou algo que não faça grande influência, mas basta começar a correr para se perceber que a pulsação fica logo em valores mais elevados para o ritmo a que costumamos correr.

Maior ritmo cardíaco, maior esforço e prova arruinada. Mas como tinha sido combinado ir a ritmo de passeio, este maior esforço acabou por ser assimilado de forma natural. A excepção esteve nos últimos 5Km, onde realmente senti um cansaço anormal para o ritmo a que tinha feito a prova. Afinal, na semana anterior tinha feito 19Km a ritmo alto, onde consegui impor um ritmo médio de 5:00min/Km durante 16Km. Nesse dia teria feito os 24Km com naturalidade. Mas este Domingo, os 24Km pareceram um pesadelo na parte final. Esta lenga-lenga toda para dizer o quê? Que ficou cientificamente provado que o vinho, na véspera de provas ou treinos longo, é péssima opção. Só mesmo para acompanhar a refeição depois da prova. E nessa altura, confesso, uma Guiness fica ouro sobre azul a acompanhar um Big Tasty.

wine-glass-spilled

Esta entrada foi publicada em Alimentos, Corrida com as etiquetas , . ligação permanente.

6 respostas a In Vino Veritas

  1. LUIS VIEGAS diz:

    O peixe morre pela boca.
    Quanto ao estar parado um dia problemas de consciência?
    Imagina o que é estar parado(só poder mexer os olhinhos) desde dia 18 de Agosto e na melhor das hipóteses só voltar dia 3 Outubro.
    Quando habituamos o corpo a um ritmo é pior que o vicio da droga.

    • Verdade Luis. É isso e p.e. ter uma lesão muscular que nos impede de correr, ir no carro, e ficar a ‘babar’ ao ver outros a correr na rua. Podemos nadar e pedalar muito para compensar a falta da corrida, mas não é a mesma coisa. O ano passado, antes do Iberman, o ‘normal’ seria umas 4 a 5h de treino semanal. Agora, sem qualquer prova de triatlo, o ‘normal’ tem sido entre 7 a 8h (e sem um treino longo de ciclismo). Habituamos o corpo a isso e depois achamos estranho quando fazemos menos

  2. Lénia diz:

    Daí a secura que te deu no dia seguinte. O álcool desidrata muito, não é o que dizem?! Mas olha, com este post, fiquei com fome, e com sede… 🙂

  3. Joao Rita diz:

    é tudo uma questão de treino!!!!!!!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s