Quando as coisas fazem sentido

8 de Abril de 2018, Setúbal. Pelas 6:15, saí do hotel e caminhei 2km para chegar ao local da partida da segunda edição do Setúbal Triathlon, versão longa, ou, 1,9km Natação + 90km Ciclismo + 21km Corrida.

Pelo caminho cruzei-me com os boémios de Setúbal. Malta nova que, a essa hora, estava a sair da discoteca. Uns iam para casa depois de uma noite de copos. Outros, estavam prestes a atirar-se ao rio para nadar.

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Eu tive o meu período boémio e também saí da discoteca aquela hora. Nessa altura, se me cruzasse com alguém a andar com um capacete na cabeça e calça de lycra, seria capaz de achar que era algo que não fazia qualquer sentido.

Dos 100kg aos atuais 77kg não houve só dieta. A perda de peso associou-se a uma mudança nos hábitos de vida (salientar que o manjerico fumou dois maços por dia durante vinte anos), passando a existir uma prática regular de exercício físico. E só com treinos regulares, com cargas cada vez maiores, é que se pode pensar em enfrentar uma prova onde o esforço físico é considerável. E entre pensar em terminar um desafio desses, a pensar em terminar com um tempo cada vez menor, o processo passa por treinar cada vez mais, até onde for possível.

Eu meti-me nisto tarde, muito tarde. Nesta fase, não dá para pensar em podios (esperem! Houve um nesta prova) ou taças. Mas dá para pensar em superar o desafio cada vez mais rápido. É um objectivo tão válido como outro qualquer.

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Mas vamos ao que faz sentido. Nesse dia, pelas 6:15, devia estar uns 11ºC, ou nem isso. A água do Sado estava nuns fantásticos 14ºC. Mesmo com fato de borracha, o frio era impossível ignorar. Mas depois de várias, muitas semanas de treino, tu dás por ti dentro de água, rodeado por mais 649 manjericas e manjericos de fato de borracha, à espera de um tiro de partida. Quando é dada a partida, assim que consegues ganhar o teu espaço na água e as braçadas começam a fluir a ritmo constante, tudo o resto fica esquecido. Não há nervos, nem sequer há frio.

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Tu dás por ti a nadar no Sado, com o sol no horizonte, para viver mais um dia. É como se aquilo fosse a coisa mais natural. Naquele momento, entre respirações e braçadas a deslizar na água, tu sentes-te feliz por ali estar. Tu sabes que vais certamente apanhar um grandessíssimo empeno, que será difícil evitar o sofrimento no final, mas, naquele momento, tu estás a gozar à brava. Naquele momento, tudo parece fazer sentido.

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Uma resposta a Quando as coisas fazem sentido

  1. Carlos Dias diz:

    Fantástico, adoro as tuas descrições.

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